OS é investigada por esquema milionário de fraudes na gestão de hospital em Aparecida
Segundo a investigação, os controladores da OS direcionavam contratos superfaturados e fraudulentos da gestão de leitos de UTI para as empresas investigadas.

O Ministério Público Federal em Goiás, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (23), a segunda fase da Operação Sepse. A ação cumpre mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens e bloqueio de valores, autorizados pela 11ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Goiás.
Os alvos são pessoas físicas e jurídicas investigadas por suspeita de peculato, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Goiânia e um em Anápolis.
A operação tem como foco desarticular financeiramente um suposto esquema criminoso que atuava dentro da Organização Social responsável pela gestão do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP), unidade mantida com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a investigação, os controladores da OS direcionavam contratos superfaturados e fraudulentos da gestão de leitos de UTI para as empresas investigadas. Em contrapartida, os sócios dessas empresas repassariam cerca de 10% dos valores recebidos, a título de propina, à cúpula do Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH).
Investigação começou com a Polícia Civil
As apurações têm origem na Operação Parasitas, conduzida inicialmente pela Polícia Civil do Estado de Goiás. Na ocasião, foram identificadas fraudes no fornecimento de materiais hospitalares e apreendidos cheques milionários com operadores financeiros, indicando um possível braço do esquema voltado à contratação de serviços médicos.
A Controladoria-Geral da União também contribuiu com o avanço das investigações ao realizar cruzamentos de dados e apontar irregularidades da mesma organização social em outros estados. Como os recursos investigados são de origem federal, vinculados ao Ministério da Saúde, o caso passou à competência da Justiça Federal.
Com isso, a Polícia Federal assumiu o inquérito e, em fevereiro de 2023, deflagrou a primeira fase da Operação Sepse, com buscas direcionadas a empresas médicas envolvidas.
Contratos superfaturados e propina
Segundo a investigação, os responsáveis pela Organização Social direcionavam contratos superfaturados de gestão de leitos de UTI para empresas específicas. Em troca, os sócios dessas empresas repassariam cerca de 10% dos valores recebidos como propina para integrantes da cúpula da entidade.
Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o grupo teria utilizado um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro. Entre as estratégias identificadas estão o uso de múltiplas transferências (layering), saques fracionados em dinheiro vivo — que chegaram a ultrapassar R$ 1,5 milhão por um único investigado — e a utilização de contas de terceiros.
Familiares, advogados, funcionários e empresas de fachada, como escritórios de contabilidade e estabelecimentos fictícios, teriam sido usados para movimentar os valores.
A análise também identificou o chamado “movimento circular de capital”, no qual o dinheiro era transferido e devolvido entre contas para dificultar o rastreamento.
As investigações seguem em andamento, e os envolvidos podem responder por crimes como corrupção, peculato, organização criminosa e lavagem de capitais.

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