Mulher vai parar na UPA e denuncia que vivia presa e torturada com choques elétricos; marido é preso
Caso foi registrado na unidade de saúde do do Jardim Ingá, em Luziânia, onde a vítima foi atendida por médicos e a Polícia Militar foi acionada

Um homem, nome não divulgado, foi preso preventivamente, nessa segunda-feira (6), em Luziânia, Região do Entorno do Distrito Federal, acusado de torturar a companheira ao longo de 18 anos de relacionamento. Segundo a Polícia Civil, a vítima relatou que era mantida em cárcere privado, frequentemente amarrada com cordas, e submetida a choques elétricos durante o período, além de sofrer outras agressões constantes.
O crime veio à tona após a mulher ser socorrida e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Ingá com diversos ferimentos.
A denúncia chegou às autoridades por meio de profissionais da UPA, onde a vítima foi internada devido à gravidade dos ferimentos. Médicos que atenderam a mulher constataram hematomas generalizados, marcas visíveis de cordas nas pernas e lesões nos dedos, o que reforçou os indícios de maus-tratos prolongados.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima aproveitou a hospitalização para relatar sua situação ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam), informando que vivia anos em um ciclo contínuo de violência e tortura. Ela revelou que era mantida sob domínio absoluto pelo companheiro, que a restringia completamente em sua liberdade, impunha sofrimentos físicos com choques elétricos e utilizava cordas para amarrá-la.
“Ela vivia uma verdadeira prisão dentro de sua própria casa. A violência não era episódica, mas sistemática e intencional, o que configura crimes graves”, destacou o delegado Wallace Vieira, responsável pelo caso.
Após receber os relatos e apurar as condições da vítima, a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), agiu rapidamente. Quando os agentes chegaram à UPA, puderam constatar, com base nos exames médicos, a extensão e gravidade das agressões. Diante do estado da mulher e da confirmação de que ela era mantida em cárcere privado e submetida à tortura, a polícia solicitou à Justiça a prisão preventiva do suspeito, que foi concedida e cumprida ainda na segunda-feira (6).
O homem, cuja identidade não foi revelada, agora responde pelos crimes de cárcere privado, tortura e lesão corporal grave. Segundo o delegado Wallace Vieira, a aplicação de choques elétricos e o uso de cordas contra a vítima indicam um nível elevado de crueldade e premeditação nos atos.
“O caso é gravíssimo não apenas pelo tempo em que a violência se perpetuou, mas também pela brutalidade das práticas do agressor. Foi instaurado um inquérito rigoroso para garantir que ele seja responsabilizado por cada crime cometido”, afirmou o delegado.

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