Mulher trans que denunciou estupro de delegado diz que "teve medo de contar"
Jade Fernandes se pronunciou sobre o suposto crime por meio de uma “carta aberta” em suas redes sociais, porém, não entrou em detalhes sobre as circunstâncias dos fatos

Mulher trans que denunciou ter sido estuprada pelo delegado Kleyton Manoel Dias, Jade Fernandes se pronunciou sobre o suposto crime por meio de uma “carta aberta” em suas redes sociais, onde destacou que “teve medo de denunciar” e de que as pessoas não acreditassem, porém, não entrou em detalhes sobre as circunstâncias dos fatos.
"Eu tive medo, vergonha de contar para alguém por horas, de ser taxada como mentirosa. Eu não queria que as pessoas me vissem como vítima", escreveu a mulher.
Nas redes sociais, ela não detalhou sobre o ocorrido, mas contou que "teve medo de contar o fato da noite" de sexta-feira (5) e que passou o dia assustada. Ela ainda explicou que o medo das pessoas não acreditasse a fez duvidar das próprias lembranças que tinha do crime e questionar a si mesma sobre o que ocorreu.
"Foi muito humilhante para mim, mas por um momento eu achava que estava louca. Teve um momento que senti que estava perdendo o controle da realidade, comecei a questionar se o abuso tinha realmente acontecido", detalhou.
Leia íntegra da postagem de Jade Fernandes:
"#Cartaaberta - Desabafo para todas as mulheres, satisfação para amigos. E um pedido. Quero um tempo! Algumas horas, dias, não sei. Ontem eu estava gravando meu vídeo de apresentação do concurso de beleza que irei participar e levantando além da bandeira trans, a bandeira do empoderamento e sororidade, mas que a vida prega peças né? E que peça!
Tive medo de contar o fato da noite de ontem, hoje passei o dia assustada, com medo de denunciar o que aconteceu, mas gente ...estava incentivando mulheres fazerem isso no meu material logo cedo e eu mesma não iria fazer? Então o assunto é bem mais complexo, e aí que temos que ser fortes e sim se cada uma de nós fizer nossa parte podemos nos ajudar.
Eu tive medo vergonha de contar pra alguém por horas de ser taxada como mentirosa, eu não queria que as pessoas me vissem com vítima, foi muito humilhante pra mim mas por um momento eu achava que estava louca. Teve um momento que senti que estava perdendo o controle da realidade, comecei a questionar se o abuso/estru!!p0 tinha realmente acontecido, para minha própria sanidade eu me forcei a relembrar os detalhes pensei em ir embora sumir, mas pensei poxa, que tipo de influenciadora eu seria se pregasse algo antes e fugisse, isso me deu força de ser a jade que vocês veem aqui todo dia na vida real, humana, e que poderia ter acontecido com qualquer uma e que minha coragem acompanhada de medo sirva de ajuda para alguém. Então meu pedido de hoje , respeitem meu tempo.
Logo responderei todos. Mas por favor compartilhem muito para encorajar a outras mulheres que passaram o que passei a fazer o mesmo. Por hoje obrigada a todos e gratidão por estar viva".
Outro lado
Delegado da 8ª Delegacia Distrital de Goiânia, Kleyton Manoel Dias, que é casado e tem filho, acusado de ter estuprado uma mulher trans, nome não divulgado, na madrugada de sexta-feira (5), se manifestou sobre o caso, disse que “está abalado”, negou as acusações e pediu “cautela” nas conclusões precipitadas, já que garante que vai provar sua inocência.
“De início, repudia veementemente as acusações e se coloca à inteira disposição das autoridades nas investigações que apuram o caso. Informa que ainda não foi ouvido no inquérito que investiga o suposto estupro. Irá provar a sua inocência e neste momento está muito abalado com o ocorrido, cuidando de sua família, esposa e filho. Por fim, pede encarecidamente a todos cautela nas conclusões precipitadas, que aguardem as conclusões das investigações no esclarecimento dos fatos, que ao final irá demonstrar a sua inocência. Goiânia, 06 de dezembro de 2023. Kleyton Manuel Dias”, diz a íntegra da nota encaminhada pelo delegado.
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Entenda o caso
De acordo com a ocorrência, a mulher conta que teria ido à festa do jornalista, que fechou uma boate em Goiânia, e, além dela, o delegado era um dos convidados. Os dois teriam sido apresentados pelo anfitrião do evento.
Ao final da festa, o jornalista foi embora e o delegado ofereceu carona para ela, a vítima, e para outra mulher.
Ainda segundo o relato, primeiro o delegado teria deixado a outra mulher em casa e, depois, seguiu em direção a casa da vítima. Ela afirma que, em determinado momento, ele a levou até o porta-malas, onde a abusou sexualmente. Na sequência, a deixou em casa, no Setor Jaó.
Conta ainda que, depois do suposto estupro, foi deixada na rua completamente nua.
Após o atendimento médico, teria sido encorajada pelo amigo e denunciou o suposto crime.

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