Dois meses depois de relatar ameaças e agressões à polícia, mas se recusar a pedir medida protetiva, Mirian Cristina Silva Bispo, 45, é investigada por matar o marido, Gelilto Santos da Silva, 40, a facadas durante uma discussão na noite desta terça-feira (18). Ela é considerada ré confessa e deve ser novamente ouvida pela Polícia Civil nos próximos dias.
A Polícia Militar foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de briga familiar na residência do casal. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram Gelilto caído no quarto, já gravemente ferido, enquanto Mirian permanecia ao lado do corpo. Segundo os policiais, ela resistiu às ordens para se afastar e demonstrava aparente confusão mental. Após repetidas verbalizações, permitiu a aproximação da equipe.
O Samu constatou o óbito no local, e a Politec recolheu a faca utilizada no crime. A área foi isolada para perícia. Mirian não tentou fugir e acabou conduzida à delegacia.
Histórico de violência e recusa de proteção
O caso atual ganha contornos ainda mais complexos após revelações de um boletim de ocorrência registrado em 28 de setembro, no município de Vera (486 km de Cuiabá). Naquele dia, populares acionaram a PM ao verem Gelilto, alterado, avançar contra Mirian com um facão, afirmando que iria “picotá-la”. Ele também ameaçava colocar fogo no conjunto de quitinetes onde viviam e em um bar próximo.
Alvos do histórico de violência e da investigação atual:
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Mirian Cristina Silva Bispo (45) – apontada como autora do homicídio; havia recusado medida protetiva.
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Gelilto Santos da Silva (40) – vítima do crime e autor das ameaças anteriores.
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Polícia Civil de Mato Grosso – responsável por apurar as circunstâncias do homicídio e a eventual omissão de proteção no caso anterior.
Na ocasião, vizinhos tentaram proteger Mirian até a chegada da polícia. Gelilto fugiu pulando muros e invadindo casas, mas foi capturado após perseguição. Mesmo imobilizado, resistiu ao algemamento, desacatou policiais e chegou a chutar um militar no posto de saúde. Segundo o registro, afirmou que mataria a equipe ao sair da cadeia.
Em depoimento, Mirian declarou que convivia com ele havia sete meses e queria encerrar a relação devido às ameaças constantes. Contou que o companheiro dizia que, se ela o deixasse, “não ficaria com mais ninguém”. Apesar do cenário de risco, afirmou que não desejava representar criminalmente contra o agressor e recusou solicitar medida protetiva, alegando que voltaria para o Maranhão para se proteger.
Próximos passos
Agora como suspeita confessa, Mirian deve ser novamente interrogada. A Polícia Civil investiga o contexto da briga que terminou em homicídio e pretende ouvir testemunhas sobre o histórico de violência entre o casal. O inquérito deve analisar se o crime ocorreu em legítima defesa e se houve falha na proteção oferecida pelo Estado.
O caso reacende o debate sobre mulheres que, mesmo sob risco, não acionam os mecanismos legais de proteção — e sobre como esses episódios podem evoluir para situações extremas.
A Secretaria de Segurança Pública não informou se houve acompanhamento psicológico ou assistencial após a denúncia de setembro. A defesa de Mirian ainda não se pronunciou.