Mulher que fingia ser criança já tinha sido presa em Goiânia aplicando golpes; assista
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi detida em Goiânia acusada de aplicar golpes semelhantes em vários estados usando relatos falsos de abuso sexual, autismo e perseguição

O caso que chocou o país após a prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Joinville (SC), revelou um histórico de golpes que já havia passado por Goiás. A mulher, que se apresentava como uma menina autista de 12 anos, foi presa preventivamente depois de enganar uma família catarinense e viver durante 14 meses como filha adotiva do casal.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar de Goiás, Amanda já havia sido presa em flagrante em Goiânia, em 2024. Na ocasião, os policiais descobriram que ela mentia para conseguir doações ao afirmar que era uma criança vítima de abuso sexual. Ela também responde por falsidade ideológica.
O caso voltou a ganhar repercussão nacional após a prisão ocorrida na última terça-feira (2), em Santa Catarina. De acordo com as investigações, Amanda construiu uma personagem detalhada para convencer pessoas de que era uma adolescente vulnerável. Para isso, afinava a voz, simulava crises de pânico durante a madrugada e alegava sofrer de autismo.
A mulher também dizia ter sido vítima de abusos na infância e afirmava que seu pai a obrigava a tomar hormônios, justificando assim características físicas incompatíveis com a idade que dizia ter. Para reforçar a encenação, utilizava mamadeiras, chupetas e evitava frequentar a escola, alegando que poderia ser encontrada por um suposto “pai abusador”.
A aproximação com a família de Joinville aconteceu após ela ser acolhida por uma igreja da cidade. Na época, Amanda contou que havia fugido do Pará para escapar de maus-tratos. Sensibilizados pela história, os moradores passaram a tratá-la como filha, organizaram festas de aniversário e custearam despesas médicas.
A farsa começou a ruir depois que um familiar da própria família acolhedora levantou suspeitas sobre a verdadeira identidade da suposta adolescente. A denúncia levou à investigação que confirmou que a mulher tinha 37 anos e um histórico de ocorrências semelhantes em diferentes estados brasileiros.
Durante as apurações, Amanda confessou os fatos à polícia. Os investigadores apontaram que ela utilizava o mesmo método de aproximação e manipulação em outros locais. Há registros de golpes semelhantes em Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, ela responderá pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Com a repercussão do caso, surgiram também relatos de pessoas que afirmam ter sido vítimas da golpista antes mesmo da prisão em Santa Catarina. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Viviane Henriques, coordenadora do Instituto Mãos que Abençoam com Amor, e Renata Magalhães relataram situações que classificaram como perturbadoras.
Segundo Renata, Amanda utilizava histórias dramáticas para despertar compaixão e garantir acolhimento. “Ela dizia que o pai a obrigava a tomar hormônios e que tinha autismo. Ela parecia uma adolescente obesa com autismo. Ela vomitava agulha, e não vem com essa de que botava na boca, não. Ela fez isso na minha frente”, afirmou.
Os relatos reforçam a suspeita de que a mulher recorria a técnicas elaboradas de manipulação emocional para conquistar a confiança de instituições, famílias e pessoas dispostas a ajudá-la. Agora, a polícia busca identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a extensão dos prejuízos causados pela sequência de golpes atribuídos à acusada.
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