Uma mulher matou o marido a facadas, na madrugada dessa segunda-feira (24), e mobilizou a polícia e moradores do Bairro Casas Populares, em Exu, no sertão de Pernambuco, por volta das 00h20. Ela alegou ter agido em legítima defesa após anos de agressões.
A vítima, José Romário Mariano da Silva, foi encontrada já sem vida na calçada do imóvel onde vivia com a companheira. Ele não resistiu aos ferimentos provocados por golpes de faca e morreu antes da chegada do socorro.
A suspeita do crime, Francisca Regileide da Silva, foi identificada pela polícia no local e confessou o ato, declarando que era constantemente agredida pelo marido e que teria reagido a mais uma tentativa de violência. Aos policiais, ela afirmou que estava “defendendo a própria vida”.
Investigação e possível motivação
Segundo o relato da autora, as agressões físicas por parte do companheiro eram frequentes e não foram registradas anteriormente em boletins de ocorrência. A Polícia Civil irá investigar se havia histórico de violência doméstica e se Francisca reagiu em um contexto de risco iminente — fator que pode caracterizar legítima defesa perante a Justiça.
As autoridades devem solicitar exames periciais e ouvir testemunhas da vizinhança, que poderão esclarecer se existiam brigas recorrentes entre o casal.
O que diz a lei
Especialistas em direito penal afirmam que a alegação de legítima defesa exige comprovação de ameaça real e imediata. O caso será submetido à análise do Ministério Público, que decidirá se a autora responderá por homicídio ou se será enquadrada sob a tese de defesa própria diante de situação de violência doméstica — o que pode alterar completamente o rumo do julgamento.
Próximos passos
Francisca Regileide foi conduzida à delegacia, onde prestou depoimento e aguarda os desdobramentos legais. O corpo de José Romário Mariano da Silva foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para realização de exames periciais.
A Polícia Civil informou que abrirá inquérito para investigar o caso e avaliar se a suspeita poderá responder em liberdade.
O caso reacende o debate sobre violência doméstica no interior do país e o acesso limitado a redes de proteção para mulheres em situação de risco, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros urbanos.