Mulher denuncia ter sido estupr4da por PRF quando estava sob efeito de remédios
A mulher afirmou que o agente colocou sua mão sobre o órgão genital dele e, apesar da resistência inicial, ele a teria agarrado, despido e forçado uma relação sexual.

O 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Brasília determinou medidas protetivas de urgência contra o policial rodoviário federal Leonardo Silva da Costa Gomes. Ele é acusado de estupro, perseguição e assédio psicológico contra uma colega de trabalho que também atua na sede da PRF, na capital federal.
De acordo com a decisão judicial, Leonardo está proibido de se aproximar da vítima a menos de 800 metros, manter qualquer forma de contato — inclusive por redes sociais ou mensagens — e frequentar o setor de trabalho da mulher. O descumprimento das medidas pode levar à decretação de prisão preventiva.
Segundo o relato da vítima, uma funcionária terceirizada que estava afastada por licença médica por motivos psicológicos, o episódio ocorreu em 6 de fevereiro de 2025, quando Leonardo teria ido à casa dela e iniciado um ato sexual sem consentimento, aproveitando-se de sua condição de vulnerabilidade.
A mulher afirmou que o agente colocou sua mão sobre o órgão genital dele e, apesar da resistência inicial, ele a teria agarrado, despido e forçado uma relação sexual. Durante o abuso, ela disse estar sob efeito de medicação psiquiátrica e desejava apenas que a situação terminasse. Mesmo diante de sangramento vaginal, Leonardo teria prosseguido com a relação e ainda tentado forçar sexo anal, o que ela recusou diversas vezes, até gritar de dor.
Filmagens sem consentimento
A vítima também relatou que o agente teria registrado o ato sexual com o celular dela, sem autorização. Após o ocorrido, bloqueou o policial nas redes sociais, mas ele continuou tentando contato. Dias depois, chegou a usar o crachá funcional de outra colega para acessar o setor onde ela trabalhava. O novo encontro causou forte abalo emocional na mulher, que precisou de atendimento médico e psicológico.
O Ministério Público manifestou-se favoravelmente às medidas protetivas. O juiz responsável pelo caso acatou o pedido, destacando a gravidade dos fatos e o risco de revitimização. A vítima expressou temor pela própria segurança, mas optou por não ser acolhida na Casa Abrigo, preferindo acompanhamento remoto.
O caso segue em investigação, e Leonardo foi formalmente notificado de que descumprir as medidas judiciais pode configurar crime, conforme o artigo 24-A da Lei Maria da Penha.
Defesa nega acusações
Em nota à imprensa, a defesa do policial afirmou que a relação foi consensual e teria sido precedida por envolvimento afetivo e sexual entre os dois, com conversas e mensagens que comprovariam a existência de reciprocidade e ausência de violência.
Segundo os advogados, o encontro ocorreu em 5 de fevereiro de 2025, a convite da própria mulher. “Tudo isso, inclusive a vontade mútua de relacionamento, ficará comprovado na investigação”, diz o comunicado.
Pronunciamento da PRF
A Polícia Rodoviária Federal informou que ofereceu imediato acolhimento à vítima, por meio da Coordenação-Geral de Direitos Humanos (CGDH). A servidora foi orientada sobre medidas de proteção e acompanhada à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, onde o caso foi registrado.
Além disso, a funcionária recebeu apoio psicossocial da Central de Acolhimento e Acompanhamento em Saúde (CAAS). No âmbito administrativo, a PRF instaurou uma Investigação Preliminar Sumária (IPS) e adotou medida cautelar com a mudança de lotação do agente, para garantir o cumprimento da decisão judicial.

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