“Motoristas de Racha” prestam depoimento e defesa tenta responsabilizar “asfalto” pelo acidente
Eduardo Henrique e Arthur Yuri, “desaparecidos” desde à madrugada de sábado (07), quando aconteceu o capotamento da Hilux, se apresentaram na Dict na manhã dessa quinta-feira (12)

Eduardo Henrique, 22 anos, e Arthur Yuri, 18, “motoristas” da Toyota Hilux e da BMW, respectivamente, que promoveram racha, na madrugada de sábado (07), que terminou com o capotamento da caminhonete no cruzamento entre a Rua C-155 com Avenida T-9, no Jardim América, em Goiânia, e a morte de Wictor Fonseca Rodrigues, 20 anos, e Marcella Sonia Gomes do Amaral, 15 anos, se apresentaram, nessa quinta-feira (12)m na Delegacia de Investigações de Crimes de Trânsito (Dict) para prestar “esclarecimentos” sobre o acidente pela primeira vez.
Os advogados Benedito Torres e Felipe Carrijo, que acompanharam os clientes no depoimento, trabalham com a estratégia de que o capotamento da caminhonete foi em decorrência de “deformidades” no asfalto da avenida, tentam emplacar que Eduardo, que conduzia a Hilux, perdeu o controle da direção pelas “deficiências” do asfalto e desconsideram o fato do cliente ter consumido bebidas alcoólicas antes de pegar ao volante e, ainda, trafegar a 123km/h pela avenida, assim como o amigo Arthur Yuri, que trafegava em velocidade similar com a BMW.
Benedito e Felipe afirmam que as investigações irão comprovar essa versão.
Os defensores também tentam descaracterizar que Eduardo e Arthur estariam praticando “racha”. Benedito e Felipe “explicam” que só porque os veículos estavam trafegando juntos com “velocidade inadequada”, ou seja, 123km/h numa avenida onde a velocidade máxima permitida é 60 km/h, entendeu-se que estaria acontecendo uma disputa.
A defesa dos “motoristas”, antes mesmo do depoimento, já havia se pronunciado alegando que os clientes em nenhum momento tentaram fugir da responsabilidade e que não fugiram da cena do acidente. Ressaltaram que Eduardo foi retirado do local pelo fato de ter ficado ferido e encaminhado à unidade de saúde, mas não explicaram o porquê de o rapaz ter deixado a unidade antes mesmo de terminar o atendimento.
Já sobre Arthur, o advogado explicou que ficou mais de uma hora na cena do acidente, que as câmeras de segurança da região podem comprovar, e teria ajudado na busca por socorro.
“Momento algum os jovens deixaram de prestar Socorro ou evadiram do local do acidente gostaríamos de esclarecer que o condutor da caminhonete este foi socorrido e encaminhado para o hospital e o condutor da BMW este per ficou no local do acidente por mais de 1 hora que pode ser comprovado pelas câmeras de segurança”, disse um dos advogados.
As investigações continuam e, nessa terça-feira (13), o delegado Thiago Damasceno continua a ouvir testemunhas do caso.
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O capotamento
De acordo com as primeiras informações, Marcella e os demais envolvidos no grave acidente, todos jovens, inclusive alguns menores de idade, como a vítima, estavam numa boate do Setor Marista, onde consumiram bebidas alcoólicas da noite de sexta (06) à madrugada de sábado (07).
Ao deixarem o estabelecimento, o grupo se dividiu entre os veículos e começaram a “brincar de racha”, ou seja, colocar os veículos disputando qual atinge maior velocidade e permanece na frente do outro.
Em determinado momento, o condutor da caminhonete, identificado como Eduardo, perdeu o controle da direção, veículo saiu da pista capotou e só parou após bater contra a fachada de uma loja.
Os peritos analisaram as condições em que a vítima fatal foi encontrada, o veículo envolvido e o perímetro do acidente para coletar informações que determinem causas e circunstâncias do fato.
O corpo da adolescente foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exame de necropsia antes de ser liberado para os procedimentos fúnebres junto à família. Investigadores da Dict acompanharam os trabalhos da perícia, ouviram testemunhas e coletaram informações preliminares para dar início à apuração dos fatos.

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