Morador de Goiânia comete su1c1d10 após cair no "golpe da novinha" e bandidos acusarem "pedofilia"
Esposa da vítima procurou a delegacia e relatou o suicídio do marido e expressou fortes suspeitas de que o ato extremo estivesse diretamente ligado a uma chantagem

Uma operação conjunta deflagrada nesta quarta-feira (28) pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), com apoio crucial da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), desarticulou uma perigosa associação criminosa especializada no chamado "golpe da novinha" ou "sextorsão". O grupo é suspeito de ter extorquido um morador de Goiânia de forma tão implacável que a vítima, acuada pelas ameaças, acabou tirando a própria vida em maio de 2023.
As investigações tiveram início na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc) da PCGO, após a esposa da vítima procurar a unidade policial. Desolada, ela relatou o suicídio do marido e expressou fortes suspeitas de que o ato extremo estivesse diretamente ligado a uma chantagem que ele vinha sofrendo nos dias que antecederam a tragédia.
A descoberta da extorsão veio à tona de forma inesperada. Ao levar o aparelho celular do marido para uma assistência técnica após sua morte, a mulher acessou conversas em um aplicativo de mensagens. O conteúdo era alarmante: interlocutores desconhecidos acusavam o homem de ter trocado material íntimo com uma suposta menor de idade, proferindo ameaças veladas e explícitas.
Rapidamente, os investigadores da Dercc identificaram as características típicas do "golpe da novinha". Este esquema criminoso, cada vez mais comum no ambiente digital, consiste na criação de perfis falsos em redes sociais, geralmente utilizando fotos de jovens atraentes, para seduzir e atrair vítimas. Após estabelecerem contato e trocarem mensagens, os golpistas induzem a vítima a enviar fotos ou vídeos íntimos.
Uma vez de posse do material, a dinâmica da extorsão se inicia. Os criminosos, então, alegam que as imagens enviadas pela vítima seriam, na verdade, de uma menor de idade. Para aumentar a pressão e o medo, eles ameaçam envolver supostos familiares da "adolescente" – como pais ou irmãos – e até mesmo a polícia, exigindo elevadas quantias em dinheiro para "abafar o caso" e evitar a exposição da vítima como um suposto pedófilo.
No caso que resultou na morte do morador de Goiânia, a crueldade dos criminosos escalou. Eles não apenas se passaram por familiares da suposta menor – identificados nas conversas como o "irmão" e o "pai" da "adolescente" –, mas também exigiram pagamentos vultosos sob o pretexto de custear "tratamentos psicológicos" para a jovem. A pressão psicológica e financeira sobre a vítima era imensa.
As investigações da PCGO conseguiram rastrear diversas transferências bancárias realizadas pela vítima para as contas dos infratores nos dias que antecederam seu suicídio, comprovando o pagamento da extorsão.
O trabalho de inteligência e investigação cibernética permitiu às autoridades identificar que o grupo criminoso operava majoritariamente a partir do estado do Rio Grande do Sul. A associação criminosa contava com a participação de várias pessoas, cada uma desempenhando um papel específico no esquema.
A operação deflagrada nesta quarta-feira resultou no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão e na prisão temporária de seis indivíduos suspeitos de integrar o grupo. Além disso, sete medidas cautelares diversas da prisão foram aplicadas a outros envolvidos.
A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros possíveis integrantes da associação criminosa e apurar a existência de mais vítimas do mesmo golpe, tanto em Goiás quanto em outros estados do país. O caso serve como um alerta severo sobre os perigos da interação com perfis desconhecidos na internet e a sofisticação dos golpes aplicados no ambiente digital.

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