Mesmo com esposa esfaqueada, homem buscou atendimento para si antes de socorrê-la
Eduarda foi atingida por seis golpes de faca dentro da quitinete onde morava com o companheiro, de 22 anos, e o filho do casal.

A sequência de deslocamentos feita pelo companheiro de Eduarda Vasconcelos de Paiva, de 21 anos, logo após ela ser esfaqueada, tornou-se um dos principais pontos de suspeita no inquérito que apura o crime ocorrido na madrugada de terça-feira (17), no Jardim Curitiba 3, região noroeste da Goiânia.
Eduarda foi atingida por seis golpes de faca dentro da quitinete onde morava com o companheiro, de 22 anos, e o filho do casal, de um ano e seis meses. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL), mas morreu após sofrer duas paradas cardíacas.
Idas e vindas chamaram a atenção
De acordo com o relato da Polícia Militar do Estado de Goiás, o rapaz afirmou que a família teria sido atacada pelo irmão de uma vizinha, supostamente por causa de uma música. Na sequência, ele teria sido atendido inicialmente na UPA do Jardim Curitiba e só depois retornou à residência para socorrer Eduarda e deixar o filho com um parente. A jovem estava ensanguentada e ferida.
Após a companheira ser encaminhada para atendimento médico, pediu que um vizinho o levasse novamente à UPA para receber cuidados. A sequência de deslocamentos, mesmo tendo ferimentos leves e a esposa entre a vida e a morte na casa, levantou questionamentos entre os investigadores.
Versão contestada
O companheiro alegou que o responsável pelo ataque seria o irmão de uma vizinha, motivado por desentendimento relacionado a som alto. No entanto, familiares de Eduarda contestam a narrativa.
Uma prima da vítima afirmou que a história “está muito mal contada” e questionou a motivação apresentada. Além disso, segundo a família, a polícia não localizou ninguém com o nome indicado pelo suspeito na região.
Histórico de relacionamento conturbado
Outro ponto considerado pela investigação foi o histórico do casal. Segundo familiares, o relacionamento era marcado por brigas frequentes. Eduarda, que perdeu os pais ainda jovem, tinha pouco contato com a família. Em conversas esporádicas, teria relatado episódios de agressão, inclusive durante a gravidez. No domingo anterior ao crime, segundo parentes, o casal voltou a discutir.
Enquanto o companheiro sustentava que o relacionamento era tranquilo, a jovem apresentava uma versão diferente aos poucos familiares com quem mantinha contato. Familiares e o suspeito foram ouvidos na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH).
Diante das inconsistências no relato, da ausência de provas que confirmassem a participação de um terceiro e dos indícios levantados pela Polícia Militar, o delegado de plantão determinou a prisão em flagrante por suspeita de feminicídio.

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