Máscaras de R$ 0,90 foram compradas a R$ 35 por OS durante a pandemia, revela PF
Esquema de superfaturamento faz parte de desvio de R$ 38 mi na saúde de Goiás; último foragido foi preso

Um dos pontos de destaque da investigação que desarticulou um esquema de corrupção na saúde de Goiás é o superfaturamento de itens básicos. Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), Organizações Sociais (OSs) que geriam hospitais de campanha em Goiânia e Aparecida pagaram R$ 35,00 por máscaras descartáveis que custavam apenas R$ 0,90 no mercado — um ágio superior a 3.800%.
A operação, que já havia prendido três empresários em Goiás, teve um novo desdobramento no fim da tarde desta quarta-feira. Roberto Leandro de Carvalho Garcia, apontado como um dos diretores operacionais e sócio da empresa Mediall Brasil, foi preso em Macapá (AP). Ele era o único dos quatro alvos de prisão preventiva que ainda era considerado foragido. Com sua captura, o grupo acusado de liderar o esquema está totalmente atrás das grades.
As investigações das operações Rio Vermelho e Makot Mitzrayim apontam que os desvios somam R$ 38,2 milhões. O esquema funcionava através da contratação de empresas de fachada ou pertencentes aos próprios envolvidos, como a Mediall, para fornecer insumos com preços inflados e serviços que nunca eram entregues em sua totalidade.
Além do superfaturamento das máscaras, a polícia identificou:
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Leitos Fantasmas: Cobrança por leitos de UTI que não estavam disponíveis;
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Divisão de Lucros: Planilhas apreendidas mostram que o dinheiro, que por lei não deveria gerar lucro em OSs, era rateado entre os empresários;
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Falta de Profissionais: Pagamentos feitos por equipes médicas que estavam incompletas nos hospitais.
Enquanto Roberto Garcia aguarda os trâmites, os outros três empresários detidos em Goiás — Hilton Tinaldo Salles Piccelli, Rudson Teodoro da Silva e Otávio Guimarães Favoreto — já passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões mantidas pela Justiça.
A defesa de Hilton e Rudson declarou que a empresa preza pela ética e foi surpreendida pela operação. As defesas de Otávio e Roberto ainda não foram localizadas. As OSs Agir e as prefeituras envolvidas afirmam estar colaborando com as investigações e negam irregularidades na gestão atual.
Em nota, a Mediall Brasil informou que desde o primeiro momento, "a empresa reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a conformidade em todas as suas operações, colocando-se integralmente à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários".
Leia a nota completa da Mediall Brasil:
A Mediall Brasil informa sobre os desdobramentos das operações conduzidas pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União nesta semana.
Desde o primeiro momento, a empresa reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a conformidade em todas as suas operações, colocando-se integralmente à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários.
No âmbito das investigações, destaca-se que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus aos diretores envolvidos, determinando a REVOGAÇÃO DAS PRISÕES E A CONCESSÃO DA LIBERDADE. A decisão reconhece, em análise preliminar, a desproporcionalidade das medidas adotadas, especialmente diante da ausência de elementos concretos e contemporâneos que justificassem a manutenção das prisões.
A Mediall Brasil recebe essa decisão com serenidade e confiança, entendendo que ela reafirma a necessidade de que os fatos sejam apurados com equilíbrio, responsabilidade e estrita observância das garantias legais.
A empresa reitera que seus diretores e sua atuação institucional sempre estiveram pautados pela legalidade, pela ética e pela transparência, e confia que, ao longo do processo, será plenamente demonstrada a inexistência de qualquer irregularidade ou responsabilidade criminal relacionada às atividades desenvolvidas.
Paralelamente, a Mediall Brasil mantém sua postura de total colaboração com as autoridades competentes, colocando-se à disposição para todos os esclarecimentos necessários ao adequado andamento das investigações.
A empresa ressalta que suas operações seguem em plena normalidade em todos os contratos vigentes, sem qualquer interrupção dos serviços prestados. As atividades assistenciais e administrativas continuam sendo executadas com responsabilidade, qualidade e compromisso com a população atendida, bem como com os entes públicos contratantes e parceiros institucionais.
A Mediall Brasil seguirá acompanhando o caso com responsabilidade institucional, mantendo seus colaboradores, parceiros e a sociedade informados por meio de seus canais oficiais.
A Mediall Brasil segue firme em seu propósito de contribuir para a gestão e o fortalecimento dos serviços de saúde, com responsabilidade institucional e respeito às normas legais.
Mediall Brasil

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