Mãe e irmã que mandaram sequestrar servidora são indiciadas
Dono de clínica e três funcionários do Espaço Terapêutico Jandaia também são entregues à Justiça e polícia aponta crimes de associação criminosa, sequestro, cárcere privado e lesão corporal

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) concluiu inquérito do sequestro de uma servidora pública, de 25 anos, nesta segunda-feira (25), e revelou detalhes do crime planejado por membros da própria família da vítima. A ação, que culminou na internação forçada dessa mulher, aconteceu em maio deste ano e jogou luz sobre práticas ilegais no Espaço Terapêutico Jandaia, em Goiânia.
O inquérito resulta no indiciamento de seis pessoas, entre elas Eliane de Paula, de 51 anos, e sua filha, Isabela de Paula, de 28 anos, mãe e irmã da jovem sequestrada. As câmeras de segurança do prédio onde a vítima residia, no Setor Oeste, capturaram o momento angustiante em que foi retirada à força de seu carro, revelando a participação ativa de Isabela na execução do sequestro.
Além de Eliane e Isabela, outros quatro indivíduos foram indiciados. Entre eles estão Leonardo Carneiro de Abreu Vieira, proprietário do Espaço Terapêutico, seu irmão Christiano Carneiro de Abreu Vieira, Rosane de Fátima Oliveira, enfermeira do local, e Andiara Silva da Costa, encarregada do transporte ilegal dos pacientes.
A polícia acusa o grupo de associação criminosa, sequestro, cárcere privado e lesão corporal, crimes que estavam ligados a um total de 22 internações irregulares na clínica.
A investigação revelou que o sequestro visava impedir a jovem de comparecer a uma audiência de conciliação, agendada para o dia seguinte, 8 de maio. A audiência tratava de uma disputa judicial envolvendo a posse de um imóvel avaliado em cerca de R$ 400 mil.
As ações da família, conforme relatado pela polícia, foram direcionadas a internar compulsoriamente a vítima, de modo a influenciar a decisão judicial em benefício próprio.
Irregularidades no Espaço Terapêutico
O funcionamento do Espaço Terapêutico Jandaia estava repleto de irregularidades, apurou a PCGO. O local operava sem alvará de funcionamento e deixava de lado requisitos médicos essenciais, como a presença de um psiquiatra registrado, em contrariedade direta às normas estipuladas pelo Conselho Federal de Medicina. Além disso, a polícia não localizou qualquer documentação que justificasse as internações, como laudos psiquiátricos ou exames toxicológicos, reafirmando as violações de direitos fundamentais cometidas.
O relatório final da investigação foi imediatamente encaminhado ao Ministério Público de Goiás (MPGO), que agora pondera as acusações formais contra os envolvidos. O órgão poderá solicitar investigações adicionais com a polícia, se considerar necessário apurar mais fatos antes de proceder com as acusações.

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