Jovem sai para caminhar em parque "interditado" e é estuprada
Parque passa por obras de revitalização que incluem melhorias na iluminação e nos acessos. A Polícia Civil investiga o caso

Uma jovem de 20 anos foi estuprada no fim da tarde do último sábado (22) durante uma caminhada no Parque Estadual Zé Bolo Flô, localizado no bairro Coxipó, em Cuiabá. O crime ocorreu por volta das 18h, segundo a Polícia Civil, e o agressor — que estaria armado com uma faca — ainda não foi identificado.
A vítima relatou que foi surpreendida por um homem que a abordou em uma área isolada do parque, fazendo ameaças e a violentando sexualmente. Após o ataque, o criminoso fugiu e não foi mais visto. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e tenta esclarecer a dinâmica do crime e a rota de fuga do autor. Segundo investigadores ouvidos pela reportagem, a principal linha de apuração mira a possível responsabilização de órgãos públicos pela falta de fiscalização e controle de acesso ao local, que está oficialmente interditado.
O Parque Estadual Zé Bolo Flô está fechado desde o fim de outubro por causa de obras de revitalização. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) afirma que a interdição está sinalizada, mas reconhece que, devido à grande quantidade de acessos, a entrada de pessoas ainda ocorre com facilidade.
A primeira etapa das obras prevê:
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Reformas na pista de caminhada
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Reestruturação da praça central
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Ampliação do estacionamento
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Reforço na iluminação
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Instalação de novos portões de acesso
As intervenções, segundo a Sema, têm como um dos objetivos aumentar a segurança da área — justamente o ponto que agora está sob questionamento.
Possíveis alvos da investigação
Fontes ligadas à investigação afirmam que o inquérito deve avaliar se houve omissão do Estado na fiscalização do parque. Estão sob análise:
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A atuação da Sema na interdição e controle de acesso ao local;
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A eventual falta de vigilância por parte de empresas ou servidores envolvidos na obra;
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A segurança oferecida durante a execução da revitalização.
A Polícia Civil apura se a presença do agressor na área poderia ter sido evitada caso as barreiras e acessos estivessem sendo monitorados corretamente.
Questionada, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou, por meio de nota, que a obra está “dentro do cronograma previsto” e que todas as entradas do parque estão “devidamente sinalizadas”. A pasta não comentou a possibilidade de revisar as condições de segurança durante o período de interdição.
Risco conhecido
Moradores da região afirmam que, mesmo interditado, o parque continua atraindo frequentadores.
“A gente entra por trás, por uma estradinha. Todo mundo sabe que dá para entrar”, disse um morador que preferiu não se identificar. A ausência de rondas policiais também foi mencionada como fator de vulnerabilidade.
O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, que aguarda os exames periciais e tenta identificar o agressor com base no relato da vítima e em possíveis registros de câmeras em residências próximas.
A jovem está recebendo acompanhamento psicológico e assistencial.
A investigação, segundo a Polícia Civil, ainda não tem prazo para ser concluída.

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