Homem preso se recusa "ser atendido por preta" paga fiança e fica livre da cadeia
Rodrigo Gomes da Paixão foi preso na noite do último domingo (14) em mercado de Goiânia

Rodrigo Gomes da Paixão, 32 anos, preso no início da noite do último domingo (14) após humilhar de forma racista a funcionária de um hipermercado, onde fazia compras, no Setor Marisa, em Goiânia, foi solto após pagar fiança de R$ 3,3 mil e vai responder ao processo em liberdade.
Em depoimento na delegacia, o acusado se limitou a dizer que não tinha nada a declarar sobre o fato. A fiança foi arbitrada na unidade policial, o homem pagou e foi solto.
Agora, o inquérito policial sobre o caso deve ser concluído e o acusado indiciado pelo crime de “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade com a utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.
O documento será encaminhado ao Ministério Público (MP), que vai avaliar o caso e verificar se há elementos consistentes que comprovem o crime para que Rodrigo seja denunciado à Justiça e responda pela conduta racista.
Se condenado, o acusado pode pegar de um a três anos de prisão, além de pagamento de multa.
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Entenda o caso
De acordo com a ocorrência, Rodrigo estava na companhia da mãe aguardando para ser atendido e reclamando da demora no hipermescado. Uma funcionária se aproxima do “cliente” para adiantar o atendimento dele e, nesse momento, o acusado começa a gritar:
“Além dessa demora, eu ainda tenho que ser atendido por uma preta! Não irei falar baixo com uma preta! Sou racista mesmo! E não sou obrigado a conversar com uma preta!”, disse à funcionária, que se sentiu humilhada, deixou o local e correu para o banheiro, onde foi encontrada chorando e muito abalada.
Em seguida, percebendo a retaliação de outros clientes e funcionários, o homem e a mãe dele seguiram para o estacionamento do mercado para tentar fugir de carro, mas foi seguido por dezenas de pessoas, que cercaram o veículo, o impediram de entrar e ainda o agrediram.
A mãe do acusado chegou a entrar na frente do filho e morder uma mulher para impedir que ele “apanhasse mais”.
Os populares seguraram o acusado até a chagada da Polícia Militar (PM), que deteve o “racista”, ouviu testemunhas e a vítima.
O acusado foi colocado na traseira da viatura, onde entrou de forma debochada, e encaminhado à Central de Flagrantes, onde foi autuado por crime de injúria racial e será investigado pelo Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Veja vídeo da prisão aqui.

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