Homem espanca enteada de três anos e deixa em estado vegetativo; mãe não fez nada
Segundo a avó da criança, a neta “praticamente perdeu a vida. Ela só alimenta por sonda, faz fisioterapia para não atrofiar, mas não teve evolução em dois anos

O padrasto de uma menina de apenas três anos, nome não divulgado, foi preso nessa quinta-feira (03) e condenado há oito anos e seis meses pela Justiça acusado de espancar a enteada em casa, em Senador Canedo (23 km da Capital) até a vítima entrar em estado vegetativo.
Sobre a mãe da menina, A Justiça entendeu que foi omissa quanto à proteção da menor e condenou há quatro anos e seis meses de reclusão em regime semiaberto, segundo o documento. Ela não foi presa.
O crime foi cometido em 16 de fevereiro de 2020, mas denunciado apenas em 9 de março de 2020, quando o pai biológico da vítima tomou conhecimento do fato e denunciou o caso.
De acordo com a ocorrência, o padrasto, por volta das 9h, teria pegado a criança e batido a cabeça dela diversas vezes contra a parede, causando graves lesões. A mãe da menor estava em casa, assistiu a filha ser espancada, mas não agiu em defesa da menor.
A criança começou a passar mal e cerca de 4 horas após o espancamento passou a sofrer convulsões. Nesse momento, a mãe pegou a menor no colo e o padrasto correu para pedir ajuda aos vizinhos para levar a enteada ao hospital.
A garotinha deu entrada, inicialmente, na Unidade de Pronto Atendimento (Upa) do município, mas devido à gravidade do estado de saúde, foi encaminhada ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), onde passou por cirurgia e ficou internada até o início de maio daquele ano.
Na decisão proferida na quinta-feira (3), o juiz Diego Custodio Borges argumenta que apesar de o padrasto negar o crime, o relato do réu não merece credibilidade, “uma vez que busca de toda forma induzir a Justiça em erro”. O juiz disse ainda que a fala dele “destoa totalmente de tudo que foi apurado durante a investigação e instrução do processo”.
Já em relação a mãe da criança, o juiz disse que a mulher, “como se não tivesse qualquer vínculo afetivo com a vítima [...] deixou de impedir que o réu agredisse de forma tão brutal”. O magistrado disse ainda que a mãe tentou, até o julgamento, ocultar o ocorrido e deu versões contraditórias no interrogatório.
A avó paterna da criança chegou a dizer que a pena dos “responsáveis” é injusta, já que a neta “praticamente perdeu a vida. Ela só alimenta por sonda. Ela faz fisioterapia para não atrofiar, mas não teve evolução em dois anos. O caso dela é irreversível, ela está só pela mão de Deus”.

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