Estudante de medicina escurece a própria pele para fraudar cotas na UniRV
A delegada Taísa Antonello, da Delegacia de Defesa Social (DDS), afirma que imagens mostram que, no dia da banca avaliadora, o homem, de 35 anos, se apresentou com o tom de pele escuro e cabelo curto.

Um estudante de Medicina da Universidade de Rio Verde (UniRV), no sudoeste goiano, é acusado de “escurecer a própria pele” para fraudar o sistema de cotas para ser aprovado no vestibular e termina indiciado pela Polícia Civil.
A delegada Taísa Antonello, da Delegacia de Defesa Social (DDS), afirma que imagens mostram que, no dia da banca avaliadora, o homem, de 35 anos, se apresentou com o tom de pele escuro e cabelo curto.
O acusado foi indiciado na quinta-feira (4) por falsidade ideológica. “Ele afirmou à Comissão de Cotas que era pardo/negro para ingressar na faculdade. Ele inseriu um dado falso em um documento verdadeiro para obter vantagem no processo”, explica Antonello.
A UniRV conta que no dia 03 de outubro de 2022 a ouvidoria da universidade recebeu por e-mail a denúncia de que o estudante havia ingressado de forma irregular, utilizando-se do Sistema de Cotas no vestibular para o Câmpus Formosa.
Após a denúncia, a instituição abriu um Processo Administrativo Disciplinar e chamou por três vezes o homem para um interrogatório.
“No entanto, ele não compareceu, justificando sua ausência mediante apresentação de vários atestados médicos”, afirmou a UniRV em nota.
Diante disso, a Comissão de Processo Administrativo pegou o vídeo da entrevista realizada com o estudante, em 2019, para ingresso pelo Sistema de Cotas e comparou com as fotos e vídeos publicadas por ele nas redes sociais.
Após essa análise, a Comissão Recursal de Verificação do Sistema de Cotas verificou que o acadêmico modificou sua própria aparência para se submeter à Comissão de Análise, em 2019.
Com isso, a universidade decidiu pelo desligamento do estudante. “Após apreciação do Conselho Universitário, o discente Thiago foi desligado da instituição no dia 11 de abril de 2023".
A delegada responsável pelo caso contou que os peritos da Polícia Civil usaram o mesmo vídeo da entrevista e as fotos das redes sociais para confirmar que o estudante fraudou o sistema.
“No dia em que ele se apresentou à Comissão, ele estava com um tom de pele mais escuro e o cabelo curto. No Instagram, ele é bem diferente nas fotos, sendo bem mais claro”, afirma.
Antonello destaca que essa análise é complexa, pois, além do tom da pele, existem outras características físicas, como por exemplo, nariz, cabelo e boca, que também influenciam no processo.
“Por isso, levamos as fotos para os membros da Comissão e perguntamos se uma pessoa com aquelas características seria aprovada no Sistema de Cotas e eles disseram que não”, explica.
Questionada sobre como o estudante alterou o tom de pele na entrevista, a delegada afirma que esse fato não é relevante para o indiciamento dele.
“Não podemos identificar como ele fez essa adulteração. O importante para o laudo é que existe uma divergência na cor dele entre o dia do exame e nos dias em que ele esteve nas aulas, além das fotos nas redes sociais”, informa.
Com as análises das imagens e a resposta da Comissão, a delegada decidiu pelo indiciamento do estudante. Antonello afirma ainda que o homem passou por um interrogatório na delegacia de Formosa, onde mora atualmente, mas se manteve em silêncio.
O inquérito foi finalizado na quinta-feira e, segundo a investigadora, foi remetido à Justiça nesta sexta-feira (5).
G1 Goiás

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