Estudante de medicina da UFG fala de “movimento gayzista”, associa à pedofilia e vira alvo da polícia
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (SMDHPA) tomou conhecimento do caso, comunicou a Polícia Civil e o acusado será intimado

Estudante de medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), identificado pelas iniciais J.L.X., é investigado por crime de racismo, na modalidade homofobia, após publicar em seu perfil do Instagram postagens com termos “homofóbicos” e ainda fazendo relação entre o crime de pedofilia e a comunidade LGBTQIA+, como se fosse uma “prática exclusiva” dessa população.
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (SMDHPA) da prefeitura de Goiânia recebeu denúncia contra o estudante nessa quinta-feira (23), onde o determinado perfil, mais tarde identificado como do estudante, veiculou nos stories as postagens discriminatórias com conteúdo informativo falso.
O estudante usa termos como “movimento gayzista”, “bo10la” e “v1adã0” para fazer a associação que a comunidade LGBT defende que todas as formas de opções de sexualidade são aceitas como forma de inclusão e de aceitação, mas que esse entendimento seria o mesmo que defender a pedofilia, já que esse criminoso teria o mesmo direito de defender sua liberdade de abusar de crianças.
“A partir do movimento gayzista e sua defesa pela liberdade de ser e viver como quiser, o que impediria um pedófilo de defender que sua forma de viver é uma opção a ser respeitada?”, postou J.L em uma das suas publicações. Confia os prints abaixo.
Toda essa interpretação do estudante é uma forma distorcida do entendimento de inclusão e aceitação de orientação sexual diversas. Nunca houve defesa de pedofilia por lideranças LGBTQIA+.
Pedofilia é crime, assim como Homofobia, transfobia e racismo, e devem der combatidos e criminalizados, constatou a SMDHPA.
Nesse sentido, a secretaria, que é responsável pelas políticas de atenção à comunidade LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros) do Município, com base no enquadramento realizado pelo Supremo Tribunal Federal, equiparando o crime de homofobia e da transfobia como tipo penal definido na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), oficiou a Universidade Federal de Goiás (UFG) e ofertou denúncia junto a Polícia Civil - Grupo Especializado no Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, para abertura de procedimento investigatório e possível instauração de inquérito civil.
Para a Secretária Cida Garcêz, declarações como a citada no perfil, de querer associar crimes como de pedofilia a homossexuais é de uma perversidade advinda de quem tem acesso ao conhecimento - do banco de uma instituição de Ensino.
“Não estamos falando aqui de tolher a liberdade de expressão do cidadão e sim, de combate a preconceitos por meio da famigeradas ‘Fake News’, como a criada pelo estudante. Nesse sentido, acompanharemos e cobraremos dos órgãos correspondentes ações imediatas de apuração e, se comprovadas, punição”, afirmou a titular da SMDHPA.
De acordo com a delegada Carolina Neves, devido à repercussão, o caso será prioridade no Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri) e logo o suspeito será intimado para prestar depoimento. Se condenado, o estudante pode pegar de 2 a 5 anos de prisão.
Em nota, a UFG informa que recebeu denúncias sobre o caso e a equipe da Ouvidoria da UFG está trabalhando para os devidos encaminhamentos e providências. Além disso, a universidade disse que repudia toda forma de mensagens e ações de teor homofóbico, transfóbico, racista, misógino, de assédio moral, sexual ou quaisquer outros constrangimentos à dignidade humana.
No site oficial, a Faculdade de medicina da UFG também publicou nota de repúdio sobre as publicações de cunho homofóbicas emitidas por um aluno. A instituição reforçou que não compactua com tais discursos.
Confira notas na íntegra
Nota UFG
Acerca de postagens depreciativas sobre o movimento LGTBQIAP+ divulgadas em uma rede social e atribuídas a um membro da comunidade acadêmica, a Universidade Federal de Goiás (UFG) informa que foram recebidas denúncias protocoladas via Plataforma Fala.Br. A equipe da Ouvidoria da UFG já está trabalhando para os devidos encaminhamentos e providências.
A UFG reitera que repudia toda forma de mensagens e ações de teor homofóbico, transfóbico, racista, misógino, de assédio moral, sexual ou quaisquer outros constrangimentos à dignidade humana.
Nota de repúdio Faculdade de medicina da UFG
A Faculdade de Medicina da UFG, desde a sua fundação, tem sido importante para a formação de profissionais de excelência e contribuído para a formação de pessoas éticas e conscientes. Com esse propósito, a Coordenação do Curso de Medicina da UFG vem a público dizer que repudia, com veemência, qualquer forma de discriminação e discursos de ódio, preconceito e violência ou atos que firam os princípios da diversidade e da representatividade no âmbito da Instituição e na sociedade em geral.
Em razão de publicação de declarações de cunho homofóbico emitidas por membro de nossa comunidade discente em redes sociais torna-se premente reforçar nosso posicionamento como uma Instituição que não compactua com tais discursos e posições.
Dessa forma, esta Coordenação, alinhada às políticas institucionais da Universidade Federal de Goiás, defende o ambiente universitário como um lugar plural de proteção de direitos fundamentais, que luta contra visões de mundo que atentem contra a dignidade das pessoas.
Por fim, ressaltamos que a Constituição Federal, no artigo 3º, inciso IV, prevê como objetivo nacional a promoção do bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Reassumimos o nosso compromisso e proposições éticas e acadêmicas de promoção de uma cultura de paz.

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