Empresário do futebol abre empresa em nome de jogador semianalfabeto em Goiás
De acordo com a Polícia Civil, nesta sexta-feira (16), foram cumpridos mandados na casa, localizada em um condomínio de luxo, e no escritório desse empresário, em Anápolis

O dono de um time de futebol é suspeito de abrir irregularmente uma empresa em nome de um jogador semianalfabeto que acreditou estar assinando contrato com o clube, em Anápolis, a 55 km de Goiânia. De acordo com a Polícia Civil, nesta sexta-feira (16), foram cumpridos mandados na casa, localizada em um condomínio de luxo, e no escritório desse empresário.
O nome do jogador, do empresário e do time não foram divulgados.
Segundo o delegado Marcelo Aires, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT), as investigações foram iniciadas em 2020, após a Secretaria de Economia identificar uma empresa com vários impostos sonegados na cidade de Anápolis.
A polícia explica que os prejuízos aos cofres públicos superam o valor de R$ 1,5 milhão.
A Polícia Civil explicou que a empresa madeireira foi aberta no nome de um atleta de origem humilde e semianalfabeto e que o jogador, de 26 anos, assinou o requerimento de abertura de uma empresa individual acreditando se tratar de um contrato com o time de futebol.
Segundo o delegado, o jovem atuou no clube até a última temporada de jogos e atualmente está sem time. A polícia ainda afirmou que ele só soube que tinha uma empresa em seu nome por meio da própria polícia.
A partir da abertura da empresa, os policiais explicam que o jogador foi usado como “laranja” para que o dono do time de futebol utilizasse o cadastro dessa empresa para sonegação fiscal, se livrando de eventuais cobranças de impostos por parte do Estado.
O delegado explica que esse empresário utilizou a empresa aberta de forma irregular para gerar créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a venda de madeira com a utilização de notas fiscais falsas.
Essa madeireira, segundo a polícia, possui o endereço registrado em uma das principais avenidas da cidade. No local, funciona uma distribuidora de bebidas.
A polícia ainda afirma que esse empresário alega ter aberto a empresa a pedido do jogador.
“Ele era dono do time, sabia que o rapaz era jogador, e não empresário. Ele recebe pouco e não teria condições de arcar com uma empresa”, explicou o delegado.
Nesta sexta-feira (16), foram apreendidos documentos, computadores e aparelhos de celular. Os próximos passos da investigação são a análise desses materiais apreendidos, com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
“Sabemos que têm outras pessoas envolvidas, provavelmente algum madeireiro de Anápolis, alguma pessoa do ramo que estava sendo beneficiada”, detalhou o delegado.
Os investigados devem responder pelos crimes de falsidade ideológica e sonegação fiscal.

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