Empresário do agro que deu golpe de R$ 400 milhões em produtores se entrega à Justiça, mas permanece "solto"
Após nove meses de investigação, Vinícius Martini de Mello compareceu à sede do Tribunal de Justiça, em Goiânia. A apresentação era a condição para que o pedido de prisão preventiva fosse revogado

Empresário do agro em Rio Verde, o corretor de grãos Vinícius Martini de Mello, investigado por aplicar golpes milionários, na casa dos R$ 400 milhões, em produtores rurais da região, se apresentou à Justiça. Após nove meses de investigação, Mello compareceu à sede do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, em Goiânia.
A apresentação à Justiça era a condição para que o pedido de prisão preventiva contra ele fosse revogado. Agora, Mello será monitorado por tornozeleira eletrônica, deverá comparecer em juízo sempre que for convocado, já entregou o passaporte e não poderá ter contato ou acesso a computadores e dados da empresa.
Recentemente, uma juíza do Tribunal de Justiça analisou o processo, que inicialmente tratava de quatro crimes, entre eles organização criminosa, e entendeu que Mello deveria responder sozinho pelo crime de estelionato. O Ministério Público recorreu, alegando que ele não conseguiria aplicar esse golpe milionário a produtores rurais sozinho e que contou com a ajuda de outras pessoas, formando uma organização criminosa. Esse pedido ainda será analisado por desembargadores.
Vinícius Martini de Mello está sendo investigado desde junho do ano passado. Segundo a investigação, ele comprava e vendia grãos de produtores, mas não repassava os valores aos clientes.
A defesa de Vinícius Martini de Mello informou que ele já está cumprindo todas as medidas determinadas pelo Tribunal de Justiça.
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Entenda o caso
Segundo a ocorrência, Vinícius Martini de Mello fechava negócio com os produtores, recebia a produção de grãos para revenda, conseguia vender, mas não repassava o pagamento pela produção. A informação é de que o acusado teria "pegado" mais de 3 milhões de sacas de grãos a cerca de R$ 60 cada, que seriam pagas nos próximos meses. Muitos produtores estariam em pânico, já que teriam prejuízo de 100%, pois entregaram toda a produção à empresa.
As vítimas relataram que o corretor utilizava contratos ou cheques como garantia, gerando prejuízos significativos.
Após fugir, o empresário teria enviado um e-mail às vítimas alegando ameaças e dificuldades financeiras.
"Eu vou voltar um dia e honrar cada um de vocês e vou pagar a todos", informava o e-mail, que tem a veracidade investigada pela polícia.

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