Empresário denuncia "escritório de advocacia" e polícia prende três criminosos em Goiânia
Polícia Civil deflagrou na manhã desta quinta-feira (22) uma operação com o objetivo de desarticular um sofisticado esquema criminoso para aplicar golpes eletrônicos

A Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) deflagrou na manhã desta quinta-feira (22) uma operação com o objetivo de desarticular um sofisticado esquema criminoso que utilizava a fachada de um escritório de advocacia para aplicar golpes eletrônicos. A ação, coordenada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), cumpre três mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão na capital goiana.
De acordo com as investigações da DERCC, os criminosos operavam utilizando perfis falsos em redes sociais e outras plataformas, apresentando-se como advogados especializados. Eles atraíam vítimas, principalmente pessoas negativadas, com a falsa promessa de regularizar a situação de seus nomes junto aos órgãos de proteção ao crédito. O prejuízo estimado causado por este grupo ultrapassa a marca de R$ 123 mil.
Além do cumprimento dos mandados, a operação visa o ressarcimento integral dos danos causados às vítimas. Para isso, a corporação também realiza o sequestro de bens, direitos e valores dos investigados, totalizando o montante do prejuízo contabilizado.
A investigação teve início a partir do registro de ocorrência de um empresário local. A vítima teve as contas bancárias de suas empresas invadidas, resultando em transferências bancárias fraudulentas que somaram um prejuízo inicial de R$ 30,8 mil.
Durante a apuração deste caso específico, a Polícia Civil constatou que os golpistas empregaram uma tática comum em fraudes via PIX: inicialmente, realizaram transferências de valores pequenos para testar e validar as contas invadidas antes de movimentar quantias maiores. Os valores desviados eram rapidamente pulverizados e distribuídos para diversas contas bancárias, tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas.
Chama a atenção a descoberta de que uma das empresas beneficiárias dos valores ilícitos era uma pessoa jurídica de fachada, criada poucos dias antes da ocorrência dos crimes, com o propósito exclusivo de receber e, possivelmente, lavar o dinheiro obtido de forma fraudulenta.
As investigações aprofundadas pela DERCC revelaram a existência de uma rede complexa e organizada por trás do esquema. Foi identificada a associação de mais de 60 Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica (CNPJs) a um mesmo número de telefone e e-mail, indicando um forte indício de que os investigados utilizavam essa estrutura para a ocultação da origem ilícita dos valores e para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas.
A operação de hoje representa um importante passo no combate aos crimes cibernéticos em Goiás, mirando não apenas os executores diretos das fraudes, mas também a estrutura financeira e logística utilizada para dar suporte e ocultar as atividades ilícitas. Os investigados responderão pelos crimes de estelionato, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A PCGO continua as investigações para identificar possíveis outros envolvidos e vítimas do esquema.

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