O diretor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João del-Rei, no Campo das Vertentes (MG), Alan Ivan Barros Tavares, foi afastado preventivamente após denúncias de assédio sexual e condutas abusivas. O caso ganhou repercussão depois da circulação de áudios em que ele supostamente condiciona promoção profissional ao uso de biquíni por uma médica da unidade. Assista vídeo no fim da reportagem.
Segundo o relato da vítima, as investidas começaram em outubro de 2025. Nos áudios, o então diretor teria determinado cores específicas de biquíni para dias diferentes da semana e pedido que a servidora comparecesse à sua sala vestida dessa forma. Em troca, prometia vantagens na carreira. Diante da insistência e das ameaças, a médica registrou boletim de ocorrência.
A reação veio em duas frentes. A Secretaria Municipal de Saúde afastou o diretor e abriu sindicância para apurar os fatos. Já a Polícia Civil de Minas Gerais instaurou investigação criminal. O episódio expôs não só a gravidade do assédio, mas também um ambiente de trabalho descrito como tóxico por parte dos profissionais.
Cerca de 30 médicos da UPA apresentaram denúncias paralelas. Eles relatam comportamento autoritário e humilhante, além de interferências indevidas no atendimento aos pacientes — algo que, em um serviço de urgência, tem peso dobrado. A soma das queixas reforçou a decisão pelo afastamento.
Em nota, Alan Tavares negou as acusações. Disse ser alvo de perseguição por decisões de gestão que contrariaram interesses de terceiros. A defesa sustenta que os áudios foram retirados de contexto.
Casos como este não são exceção isolada; são sinais de alerta. Quando o poder é usado para constranger, o serviço público falha duas vezes: com quem trabalha e com quem precisa dele. A investigação dirá o que é crime. O debate público já aponta o que é inaceitável.