Denúncia ao MP aponta fraude de R$ 100 milhões na previdência de Anápolis
Áreas públicas sem valor de venda teriam sido usadas para simular equilíbrio

O Instituto de Seguridade Social dos Servidores Municipais de Anápolis (ISSA) protocolou, nesta quinta-feira (19), uma denúncia gravíssima no Ministério Público de Goiás (MPGO). O documento aponta indícios de fraude contábil, gestão temerária e manobras financeiras realizadas durante a gestão do ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos), que podem colocar em risco o pagamento de aposentados e pensionistas.
O ponto central da denúncia envolve o uso de terrenos públicos, avaliados em R$ 100 milhões, para abater o déficit da previdência. O problema é que, segundo o ISSA, essas áreas não possuem regularização nem viabilidade de venda, funcionando apenas como um "ativo de papel" para esconder o buraco financeiro. Além disso, o déficit atuarial teria sofrido uma redução "milagrosa" de R$ 7 bilhões para R$ 1,8 bilhão apenas com a mudança de critérios de cálculo, sem que um centavo real entrasse no caixa.
O alerta mais urgente da representação trata da liquidez imediata do instituto. Enquanto a folha mensal de pagamentos ultrapassa os R$ 17 milhões, o saldo real disponível seria de apenas R$ 7,9 milhões. A denúncia sustenta que houve antecipação de valores entre 2023 e 2024 para simular uma saúde financeira que, na prática, não existe.
Diante das inconsistências, o ISSA solicitou ao MPGO e ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) uma auditoria completa nas contas e a investigação por possível improbidade administrativa. O objetivo é garantir a sustentabilidade das aposentadorias e punir os responsáveis pelas alterações estruturais realizadas sem respaldo técnico.

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