Defesa afirma que repasses milionários entre Choquei e MC Ryan eram apenas comerciais
A suspeita estaria ligada a possíveis práticas de lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas envolvendo uma organização criminosa.

A defesa de Rafael Sousa, responsável pela página Choquei, afirmou que a prisão do empresário, ocorrida na manhã desta quarta-feira (15), é “descabida” e que não há qualquer envolvimento dele com atividades criminosas investigadas pela Polícia Federal. O advogado do empresário disse que, até o momento, nem mesmo a defesa teve acesso completo ao inquérito policial e que os próprios investigadores ainda não teriam detalhado com precisão quais crimes estariam sendo atribuídos ao cliente.
Segundo ele, uma análise preliminar indica que a investigação tenta relacionar Rafael ao cantor MC Ryan, que também foi alvo da operação. A suspeita estaria ligada a possíveis práticas de lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas envolvendo uma organização criminosa.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Narcofluxo, uma ofensiva massiva contra uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e transações financeiras ilícitas que ultrapassam a marca de R$ 1,6 bilhão. Entre os principais alvos detidos estão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de outros influenciadores digitais.
Relação “exclusivamente profissional”
De acordo com o advogado Frederico Moreira, em entrevista à TV Anhanguera, a ligação entre Rafael Sousa e MC Ryan se limita à prestação de serviços de publicidade por meio da página Choquei, conhecida por seu grande alcance nas redes sociais. “A única relação existente é profissional, de divulgação e promoção do artista, algo comum no meio digital”, afirmou.
A Polícia Federal busca entender pagamentos feitos pelo cantor à página, bem como a finalidade dessas publicidades. A defesa, no entanto, sustenta que se tratavam de ações legítimas de marketing, voltadas à promoção da imagem do artista. A Choquei tem mais de 27 milhões de seguidores.
Valores não indicariam lavagem de dinheiro
Outro ponto levantado pela investigação envolve valores recebidos pela página. Segundo o advogado, Rafael declarou em depoimento ter recebido entre R$ 400 mil e R$ 500 mil ao longo de um período prolongado. Para a defesa, o montante não configura lavagem de dinheiro.
“Quem conhece o mercado digital sabe que esse valor, diluído ao longo de meses, não é expressivo a ponto de caracterizar uma operação desse tipo”, argumentou.
Ainda segundo o advogado, o depoimento de Rafael durou entre uma hora e uma hora e meia, já que os investigadores buscaram esclarecer a relação dele não apenas com MC Rian, mas também com outras pessoas citadas no inquérito.
O empresário teria sido surpreendido pela prisão em sua residência, mas colaborou com as autoridades durante toda a oitiva.

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