Clínica clandestina em Goiânia reutilizava sangue de pacientes em procedimentos
Jovem de 31 anos foi presa em flagrante por exercício ilegal da medicina e crimes contra o consumidor; Vigilância Sanitária apreendeu produtos vencidos e interditou o local

A Polícia Civil de Goiás, em ação conjunta com a Vigilância Sanitária, fechou na manhã desta segunda-feira (13) uma clínica de estética clandestina que operava disfarçada de salão de beleza no Setor Sudoeste, em Goiânia. Uma jovem de 31 anos, proprietária do estabelecimento, foi presa em flagrante por realizar procedimentos invasivos e perigosos, incluindo a "hemoterapia", que consistia em retirar sangue dos pacientes e reutilizá-lo em seus próprios corpos.
A operação foi deflagrada após uma denúncia de lesão corporal sofrida por uma pessoa atendida no local. Ao chegarem ao endereço, os policiais da Central de Flagrantes de Goiânia constataram que a residência, sem qualquer fachada indicativa, funcionava como uma clínica clandestina.
O delegado Humberto Teófilo, responsável pela investigação, explicou a gravidade das irregularidades.
"Recebemos inicialmente uma ocorrência de uma pessoa que teve lesão corporal após ser atendida aqui por essa senhora que está sendo detida em flagrante. Viemos até o local e nos deparamos com uma clínica clandestina que fazia procedimentos estéticos e terapêuticos de natureza invasiva, como a ozonioterapia e também a hemoterapia", detalhou Teófilo.
A "hemoterapia" praticada no local envolvia a retirada de sangue do corpo do paciente, a mistura com ozônio em uma seringa e a posterior reintrodução no organismo.
"Na verdade, isso é muito grave. Além de vários produtos que foram encontrados vencidos e acondicionados de forma inadequada, essa prática é proibida e representa um risco imenso à saúde, podendo levar à transmissão de doenças", alertou o delegado.
Durante a fiscalização, diversos produtos vencidos foram apreendidos, alguns guardados em um banheiro, evidenciando a falta de higiene e segurança. A Vigilância Sanitária, que acompanhou a ação, realizou a interdição do local e o descarte dos materiais impróprios.
A jovem detida, que se apresentava nas redes sociais como ozônio-terapeuta e terapeuta capilar, e afirmava estar cursando biomedicina, exibia cerca de 15 "diplomas online" na salinha onde realizava os procedimentos. O delegado Teófilo ressaltou que esses cursos não conferem habilitação para a prática de medicina ou procedimentos invasivos.
"Ela quer dar idoneidade, mas nenhum desses cursos é de nível superior ou especialização que a autorize a fazer isso. Temos que alertar a população para não cair nesse tipo de golpe, nesse tipo de charlatão", afirmou.
A falta de fachada e a tentativa da jovem de alegar que o local era sua residência não impediram a ação policial.
"A partir do momento que é um estabelecimento comercial, mesmo que clandestino e aberto ao público, não há necessidade de mandado judicial. Ela está em flagrante, com produtos impróprios ao consumo e exercendo ilegalmente a medicina", explicou Teófilo, justificando a legalidade da abordagem.
A jovem de 31 anos será conduzida à Central de Flagrantes, onde será lavrado o procedimento. Ela será enquadrada por exercício ilegal da medicina, crime contra as relações de consumo e demais delitos que serão apurados, incluindo a lesão corporal. Não cabe fiança, e ela será submetida a uma audiência de custódia nesta terça-feira (14).
A Polícia Civil e a Vigilância Sanitária reforçam o alerta à população sobre os perigos de se submeter a procedimentos estéticos invasivos em locais sem licença e por profissionais não habilitados. A reutilização de sangue e a ozonioterapia realizada de forma inadequada podem levar à transmissão de doenças, infecções graves e outras lesões, colocando em risco a vida dos pacientes.

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