Cliente dá avaliação negativa a restaurante por entregador negro
O caso causou revolta em Goiânia e dezenas de motoboys se reuniram na frente do condomínio do acusado, no Setor Vila dos Alpes, para fazer buzinaço em protesto.

Cleiton Cruvinel, 41 anos, entregador de um restaurante que presta serviços por meio da plataforma Ifood, foi vítima de racismo ao receber avaliação negativa no aplicativo, supostamente de um cliente de 15 anos, que reclamou o fato de o motoboy, que atendeu seu pedido, um açaí entregue no Setor Vila dos Alpes, em Goiânia, na noite dessa quinta-feira (20), ser negro.
O fato gerou protesto com participação de dezenas de entregadores de aplicativo em frente ao endereço do acusado na tarde dessa sexta (21).
De acordo com a ocorrência, após a conclusão da entrega, o perfil do restaurante recebeu a avaliação negativa do cliente com a justificativa “Entregador negro”.
Em resposta, o estabelecimento respondeu: “Bom dia. Meu irmão, super desagradável seu comentário. Desmerecer alguém por sua cor? Estamos aqui em busca de oferecer oportunidade ao próximo independente de sua cor. Seja mais humano, você não é melhor do que ninguém, pois somos todos iguais independente de cor ou raça. Respeita as pessoas”.
O fato foi denunciado à Delegacia de Polícia Civil como racismo e segue em investigação.
Reprodução
Cliente reclamou em aplicativo de ser atendido por entregador negro.
De acordo com o entregador, que não se considera negro, chegou para fazer a entrega já por volta da meia noite de sexta-feira (21), quando teria sido recebido com “indiferença” pelo cliente.
“O rapaz desceu e senti que ele me olhou indiferente. Quando voltei para a lanchonete vi o comentário no aplicativo. E olha que não sou negro, mas estava de máscara. Muito constrangedor. Estou abalado”, contou ao G1.
Com o caso vazado e divulgado pela imprensa, outros entregadores tomaram conhecimento, fizeram contato com a vítima e armaram um “buzinaço” em frente ao condomínio do acusado, que contou com cerca de 100 manifestantes.
Caso segue em investigação.
Outro lado
Foi verificado que a conta utilizada para fazer o pedido do açaí é de um adolescente de 15 anos, no entanto, a defesa do menor alega que a avaliação negativa e o comentário racista não foram feitos pelo acusado e alegaram que a conta no Ifood foi hackeada.
Segundo a advogada Fabiana Castro, o cliente foi vítima de golpistas que, além da invasão na conta do ifood, fizerem compras no nome do menor em várias partes do país.
“[O adolescente] não mandou aquela mensagem. Nós descobrimos que ele teve o perfil clonado porque, no histórico de compras, tem registros de compras feitas em Aracaju (SE), Penedo (AL), locais que ele nunca foi”, explicou a defensora.

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