Advogada usa "brindes 3D" para viciar jovens em cocaína, ecstasy e loló
Operação da Polícia Civil prendeu Bruna Calland Cerqueira Rizieri em um luxuoso apartamento na quadra 504, no Distrito Federal, onde foram apreendidos dinheiro e drogas

Em uma ação que revelou um esquema ousado de tráfico de drogas no Distrito Federal, a operação batizada de "Wolf" culminou na prisão da advogada Bruna Calland Cerqueira Rizieri e de Henrique Sampaio da Silva. Ambos foram surpreendidos por policiais civis da 3ª Delegacia de Polícia do Cruzeiro, sob a acusação de gerenciar um ponto de distribuição de drogas dentro de um luxuoso apartamento na quadra 504, no Sudoeste.
A investigação revelou que o apartamento dos acusados não era apenas um ponto de venda, mas sim um hub focado em atrair jovens que frequentavam áreas públicas do Sudoeste, como escolas, parquinhos e até academias ao ar livre. Brindes tridimensionais (3D) eram distribuídos como parte de uma estratégia de fidelização: cada símbolo 3D representava uma droga específica — um esqueleto de peixe para cocaína, um raio para ecstasy, e um floco de neve para haxixe ou loló.
Esses "souvenires" serviam como um sofisticado cartão de fidelidade, criando um vínculo discreto entre fornecedor e consumidor e garantindo exclusividade ao usuário.
Durante a operação, a polícia apreendeu uma quantidade significativa de drogas dentro do apartamento, incluindo porções de cocaína, tabletes de haxixe, embalagens de maconha, comprimidos de ecstasy e frascos de clorofórmio. Além disso, foram encontrados instrumentos utilizados no preparo das drogas, como balanças de precisão e sacos ziplock.
Apreendia-se também uma quantia considerável de dinheiro em espécie.
Conforme o delegado-chefe da 3ªDP, Victor Dan, "o nível de sofisticação do esquema e a ousadia em criar uma linguagem própria para fidelizar usuários nos surpreenderam e mostram uma tentativa clara de driblar a polícia e ampliar o público consumidor".
Os agentes notaram placas e avisos comunitários no apartamento do casal, que simulavam uma preocupação social e uma tentativa de estabelecer o local como um ponto de convivência saudável. No entanto, essa fachada servia apenas para mascarar o verdadeiro intento criminoso e enganar vizinhos e autoridades.
Esta operação ressaltou a criatividade e a ousadia de criminosos em se adaptar e sofisticar suas práticas para continuar operando à margem da lei. O caso segue em investigação, e os acusados aguardam seu julgamento em prisão preventiva.
Bruna Calland, formada em direito pelo UniCeub e envolvida com gestão de dados jurídicos, utilizava seus conhecimentos para criar um sistema inovador de fidelização entre seus clientes, muitos deles jovens e adolescentes da região. Em sua defesa, durante audiência de custódia realizada no domingo (07), a advogada alegou sofrer de bipolaridade, ansiedade e depressão, além de ser usuária de cocaína e consumir medicamentos controlados.
Junto de Bruna, foi preso Henrique Sampaio da Silva, 39, cuja ficha criminal já contava com cinco outras prisões relacionadas ao comércio de drogas. Curiosamente, Henrique fora nomeado para um cargo comissionado em um órgão público, mas não assumiu a função. Durante a audiência, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) converteu a prisão em flagrante do casal em preventiva, dada a gravidade e a sofisticação do esquema.

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