Adolescente usa bilhete para denunciar agressões do pai: "vai me dar tiro na cabeça"
"Meu pescoço está vermelho", escreveu a adolescente em carta entregue a colega de escola

Um pedido de socorro manuscrito em uma folha de caderno revelou o cenário de terror vivido por uma adolescente de 16 anos dentro da própria casa, em Aparecida de Goiânia. O caso, que chocou a comunidade escolar nesta semana, veio à tona após a jovem entregar um bilhete desesperado a uma colega de classe, denunciando agressões físicas e ameaças de morte feitas pelo próprio pai.
No bilhete, escrito na última segunda-feira (13), a vítima relata com detalhes a violência sofrida. "Meu pescoço está vermelho", escreveu a jovem ao contar que foi enforcada pelo agressor. Além das marcas físicas, o terror psicológico também foi registrado no papel: "Ele falou que quer me dar um tiro na cabeça. Ele quase me matou", desabafou a adolescente no manuscrito.
A corrente de proteção começou quando a colega que recebeu o bilhete, percebendo a gravidade da situação, não se calou e procurou imediatamente a direção da unidade de ensino. A escola agiu com rapidez, acolhendo a aluna e acionando o Conselho Tutelar de Aparecida de Goiânia.
Em entrevista, a conselheira tutelar Élita Arantes destacou a importância da denúncia. Segundo ela, a adolescente demonstrou um medo profundo de retornar para casa e expressou o desejo de morar com a avó. "Eu não consigo morar com meu pai, não", dizia um trecho do pedido de ajuda.
O Conselho Tutelar notificou as autoridades policiais e o caso agora segue sob investigação. O nome do pai não foi divulgado para preservar a identidade da vítima, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A jovem deve passar por exames de corpo de delito para comprovar as marcas da agressão e receberá acompanhamento psicológico especializado.
Até o momento, não houve informações sobre a prisão do suspeito, mas medidas protetivas devem ser solicitadas pela Justiça para garantir que a adolescente permaneça em segurança, possivelmente sob a guarda da avó, como era o seu desejo.

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