"Todos repassavam parte de seus salários em dinheiro vivo", denuncia ex-assessor de Janones
Dois ex-funcionários do deputado afirmam que no esquema, conhecido como "rachadinha", deputado chegava a pedir até 60% dos vencimentos e o 13º

Dois ex-assessores do deputado André Janones (Avante-MG) relatam que o parlamentar cobrava funcionários lotados em seu gabinete na Câmara a repassar parte dos seus salários. Cefas Luiz Paulino e Fabrício Ferreira de Oliveira disseram que a prática, conhecida no mundo político como "rachadinha", envolvia até mesmo os valores recebidos como 13º e chegava a 60% dos vencimentos.
A suspeita de rachadinha no gabinete de Janones é investigada pela Polícia Federal desde 2021. Em áudios divulgados na segunda-feira pelo site Metrópoles, o deputado diz que os servidores deveriam usar uma fatia dos salários recebidos da Câmara para pagar dívidas de campanha.
O parlamentar nega ter praticado qualquer irregularidade e afirmou nas redes sociais que o pedido revelado na gravação foi feito ainda antes de se eleger, em 2018, para pessoas que ainda não trabalhavam em sua equipe. Janones disse ainda que não colocou a sugestão em prática, já que a ideia foi "vetada" por sua advogada. Procurado pela reportagem para falar sobre a acusação dos ex-funcionários, ele não retornou aos contatos.
De acordo com Paulino, que trabalhou no gabinete de fevereiro de 2019 até outubro de 2022, com salário de R$ 19.562, os pedidos para repassar parte do seu salário começaram no início de 2019, logo após Janones assumir o seu primeiro mandato.
O parlamentar foi reeleito no ano passado. Segundo o ex-funcionário, a responsável pela arrecadação dos recursos juntos aos assessores de Janones era Leandra Guedes (Avante), atual prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, e aliada de confiança do parlamentar. Ela foi procurada pelo GLOBO por meio de sua assessoria, mas não se manifestou.










