Sou contra, mas é insanidade punir mulher com mais rigor que o estuprador, diz Lula
ula, que se posiciona pessoalmente contra o aborto, enfatizou a importância de abordar a questão como um problema de saúde pública.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou, no sábado (15), contrário ao projeto de lei que propõe a criminalização do aborto após 22 semanas de gestação, classificando a medida como “uma insanidade”. Vídeo no final da reportagem
Durante uma entrevista concedida à BBC News Brasil, Lula expressou sua opinião de que punir uma mulher com uma pena mais severa do que a aplicada ao criminoso responsável pelo estupro é um absurdo.
O debate acerca do projeto de lei intensificou-se nos últimos dias, com protestos emergindo em diversas cidades do Brasil. A Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para a votação da proposta, que prevê a aplicação de pena de homicídio simples em casos de aborto realizados após o período de 22 semanas.
No Brasil, a pena por homicídio simples pode chegar a 20 anos de reclusão, enquanto a pena por estupro gira em torno de 10 anos.
Lula, que se posiciona pessoalmente contra o aborto, enfatizou a importância de abordar a questão como um problema de saúde pública.
“Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, fui casado, tive 5 filhos, 8 netos, e uma bisneta. Sou contra o aborto. Entretanto, como o aborto é a realidade, temos que tratar aborto com questão de saúde pública”, declarou o presidente.
Ele reiterou a necessidade de uma legislação que aja de forma civilizada, tratando o estuprador com rigor e a vítima com respeito. “Tenho certeza que o que tem na lei já garante que a gente aja de forma civilizada para tratar com rigor o estuprador e para tratar com respeito a vítima”, afirmou Lula.
O presidente fez essas declarações em Carovigno, na região da Puglia, na Itália, onde participou de um encontro do G7 com países convidados. Após a entrevista, Lula embarcou de volta ao Brasil.












