"Rei da cocaína" está entre os acusados de tentar matar padre envenenado
Pároco conhecido por denunciar mafiosos da região da Calábria sentiu cheiro de água sanitária em cálice durante a missa e chamou a polícia

No último sábado, o padre italiano Felice Palamara por pouco não bebeu um cálice envenenado enquanto realizava uma missa em Cessaniti, na Calábria, Itália. O caso repercutiu em todo o mundo nos últimos dias. O pároco sentiu cheiro de água sanitária no objeto antes de levá-lo à boca, interrompeu a celebração e imediatamente chamou a polícia, que constatou que os recipientes de água e vinho da igreja estavam misturados a alvejante.
Felice Palamara, de 39 anos, é sacerdote da paróquia Pennaconi, no povoado de Cessaniti, na Calábria. Conhecido por denunciar as atividades da máfia da região, ele afirmou acreditar que a tentativa de matá-lo envenenado foi uma retaliação dos membros da máfia 'Ndrangheta à sua forte oposição. "Tenho certeza de que este ato de intimidação não tem nada a ver com os meus paroquianos, porque estou aqui há 10 anos e sempre tive boas relações com as pessoas da paróquia", disse o padre ao jornal "Corriere della Sera".
Foi na região da Calábria que se originou a organização criminosa denominada 'Ndrangheta. O grupo mafioso é considerado o mais rico e poderoso da Itália atualmente e tem representantes em vários países. Segundo a Justiça italiana, eles têm pelo menos 20 mil membros espalhados nos cinco continentes. A associação mafiosa, uma das mais perigosas do mundo, é envolvida em crimes de tráfico de drogas, de pessoas e de armas e com lavagem de dinheiro.
No Brasil, um dos chefes da organização, Rocco Morabito, foi preso em maio de 2021 num hotel em João Pessoa, na Paraíba. Ele estava foragido desde 2019 (quando fugiu de um presídio do Uruguai) e era um dos 10 fugitivos mais procurados do mundo. Conhecido como o "rei da cocaína", Rocco foi extraditado para a Itália em julho de 2022.
Rocco foi condenado a mais de 100 anos de prisão na Itália por crimes relacionados ao tráfico de drogas. Ele teria envolvimento com a venda de entorpecentes desde os anos 90 na Europa e também no Brasil, tendo inclusive ligações com uma das mais conhecidas facções criminosas do país. A prisão dele foi feita por policiais federais que representavam a Interpol na Paraíba.
Junto a Rocco Morabito, também em maio de 2021, em João Pessoa, foi preso Vincenzo Pasquino. Suspeito de integrar a máfia calabresa 'Ndrangheta, Pasquino era um dos 30 fugitivos mais procurados do mundo na época e ainda está no Brasil. Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, notificou o Ministério da Justiça para que ele seja extraditado de volta para Itália.
Vincenzo Pasquino teve sua extradição autorizada pelo STF em dezembro de 2022. No entanto, ele entrou com um pedido de refúgio no Brasil, e o processo ficou suspenso desde então.











