PEC limita poder do STF e Barroso reage: "Retrocesso"
Em pronunciamento na Corte, nesta quinta, Barroso fez críticas à PEC aprovada no Senado que limita poderes do STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luis Roberto Barroso, fez críticas, nesta quinta-feira (23), à aprovação, pelo Senado, de proposta de emenda à constituiçao (PEC) que limite os poderes da Corte.
O ministro afirmou que não vê razões para alterar regras do funcionamento da Suprema Corte e classificou a medida como um retrocesso.
“Num país que tem demandas importantes e urgentes, que vão do avanço do crime organizado à mudança climática que impactam a vida de milhões de pessoas, nada sugere que os problemas prioritários do Brasil estejam no Supremo Tribunal Federal“, disse.
A PEC engloba pedidos de vista, declarações de inconstitucionalidade de atos do Congresso Nacional e concessão de liminares. As decisões monocráticas, também abordadas no texto, são aquelas proferidas por apenas um ministro da Suprema Corte.
A proposta veda decisões monocráticas que suspendam leis ou atos do presidente da República, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Congresso Nacional. Também limita o prazo dos pedidos de vista para seis meses, com apenas uma renovação de três meses. A proposta foi aprovada pelo Plenário do Senado e, agora, segue para a Câmara dos Deputados.
Barroso também lembrou da invasão à sede da Suprema Corte durante os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro e afirmou ver com preocupação os “avanços” do legislativo sobre a atuação do STF.
“Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal enfrentou o negacionismo em relação à pandemia, salvando milhares de vidas, o negacionismo ambiental, enfrentando o desmatamento da Amazônia e a mudança climática, bem como funcionou como um dique de resistência contra o avanço autoritário”, ressaltou.
“Por esse papel, o Tribunal sofreu ataques verbais e a criminosa invasão física que vandalizou as instalações da Corte. Após esses ataques verbais e físicos, o Tribunal vê com preocupação avanços legislativos sobre sua atuação”, destacou o ministro.













