Vilmar Mariano investiu mais de R$ 40 milhões de Aparecida em banco "quebrado"
O aporte, feito à revelia do conselho, está travado e em risco após o Banco Master ser alvo da Operação da Polícia Federal

A Prefeitura de Aparecida de Goiânia, durante o comando do então prefeito Vilmar Mariano, aplicou aproximadamente R$ 40 milhões do fundo previdenciário dos servidores municipais (Aparecidaprev) em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. A instituição financeira foi recentemente alvo de uma liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil, o que travou o investimento e representa um grave risco ao patrimônio dos servidores.
De acordo com nota divulgada pela Aparecidaprev, o aporte financeiro de cerca de R$ 40 milhões foi realizado em 2024. O instituto de previdência municipal afirmou que o investimento foi feito "à revelia" do conselho responsável pelo regime próprio de servidores.
As Letras Financeiras do Banco Master, onde o valor foi aplicado, não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a quebra do banco, o investimento permanece travado em um prazo de longo vencimento, o que impossibilita qualquer movimentação ou resgate imediato do montante, colocando em risco o patrimônio previdenciário municipal.
A gestão atual da prefeitura informou, em nota, que encontrou o investimento já realizado "ao assumir em janeiro deste ano". A prefeitura formalizou denúncia ao Ministério Público e ao Ministério da Previdência Social para apurar eventuais responsabilidades na aplicação. O instituto também declarou estar adotando as medidas cabíveis para resguardar os recursos.
Escândalo Nacional e Prisão do Dono
O caso de Aparecida de Goiânia reflete o colapso da carteira de aplicações do Banco Master, que registra um elevado volume de municípios e institutos previdenciários aplicados com risco de perdas em todo o país. As irregularidades estão sob investigação da Polícia Federal (PF).
Na segunda-feira (17), a PF prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no aeroporto de Guarulhos. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de venda de títulos de crédito falsos, como CDBs, que prometiam retornos de até 40% acima do mercado — um rendimento considerado irreal pelas autoridades. A PF estima que o esquema tenha movimentado R$ 12 bilhões e alega que Vorcaro tentava fugir do país.
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Horas após a prisão de Vorcaro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores, interrompendo qualquer negociação de compra do banco que estivesse em andamento.
A Polícia Federal cumpriu seis dos sete mandados de prisão expedidos e 25 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

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