Vereadora do PSDB pede que não distribuam “quentinhas” no Natal; veja vídeo
Em vídeo que viralizou nas redes sociais, Talita Galhardo alega que doar quentinhas ajuda a aumentar a criminalidade

A vereadora Talita Galhardo (PSDB-RJ) tornou-se alvo de críticas e debates nas redes sociais após publicar um vídeo no qual pede que moradores do Rio de Janeiro não distribuam “quentinhas” a pessoas em situação de rua durante o período de Natal. A fala, segundo ela, pretende “evitar que esses indivíduos se acostumem a permanecer nas calçadas” e impedir o que classificou como um possível aumento nos “índices de cr¡m¡nal¡d@de”.
No vídeo, divulgado em seu próprio perfil, Galhardo afirma que ações voluntárias desse tipo “acabam estimulando a permanência nas ruas” e defende que iniciativas assistenciais sejam feitas exclusivamente por meio de programas da prefeitura. A declaração foi acompanhada de críticas a um grupo de igrejas que organiza uma ceia de Natal para pessoas em situação de rua na Barra da Tijuca.
“Pelo amor de Deus, não fiquem distribuindo quentinha na rua. Vocês estão fazendo com que essas pessoas se acostumem a ficar ali”, disse a vereadora. Ela argumenta que, ao levar comida diretamente às calçadas, voluntários estariam “competindo com políticas públicas” e tornando mais difícil a adesão aos abrigos municipais.
Reação imediata nas redes
As falas da vereadora repercutiram rapidamente, dividindo opiniões entre internautas, lideranças religiosas e moradores da região. Para alguns, a postura de Galhardo demonstra falta de sensibilidade diante da vulnerabilidade extrema enfrentada por quem vive nas ruas.
“Entendo seu ponto de vista, mas nossa igreja já conseguiu tirar duas pessoas das dr0g@s e das ruas com a ceia de Natal”, escreveu uma internauta. Outro usuário saiu em defesa da parlamentar: “Vocês confundem, ela tá falando sobre não criar hábitos viciosos e não sobre não ajudar o próximo. A prefeitura tem abrigos para isso.”
Houve ainda quem questionasse o foco das críticas. “Que tal, ao invés de propagar isso, você fazer uma avaliação dentro dos recursos do seu mandato para tentar outras formas de auxiliar?”, comentou outra usuária.
Debate mais amplo
A discussão reacende o debate sobre políticas assistenciais na capital fluminense, onde entidades sociais e grupos religiosos têm papel significativo na distribuição de alimentos e no acolhimento emergencial. Organizações afirmam que a prática é essencial para atender quem não consegue — ou não aceita — acessar abrigos públicos, enquanto setores do poder público defendem maior centralização dessas ações.
Até o momento, Galhardo não comentou a repercussão negativa, mas aliados afirmam que o objetivo da vereadora seria “estimular políticas estruturais”, e não “demonizar a solidariedade”. A controvérsia, no entanto, continua a mobilizar comentários e críticas, especialmente às vésperas do período natalino, quando ações voluntárias costumam se intensificar na cidade.

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