Vereador defende assessor e diz que funcionários de maternidade desrespeitaram "lei da gestante"
Igor Franco afirma que funcionários desrespeitaram a paciente e lei municipal que garante à gestante a opção de escolha entre cesariana ou parto normal a partir da 39ª semana.

Após a repercussão da briga e prisão de servidores dentro da Maternidade Municipal Célia Câmara, nessa sexta (06), o vereador Igor Franco (MDB) utilizou as redes sociais para manifestar sua posição e apresentar o que ele descreve como o "outro lado da história". O caso, que terminou com a prisão de três servidores do hospital, gerou ampla discussão pública, especialmente após relatos iniciais que colocavam em questão a conduta de um assessor do vereador, envolvido no episódio. Assista vídeo no final da reportagem
Igor Franco defendeu o funcionário e compartilhou detalhes sobre a situação que, segundo ele, motivou a ida da equipe do gabinete à unidade de saúde.
Segundo o parlamentar, a confusão teve início com o atendimento a uma gestante de 39 semanas e 4 dias, que teria chegado ao local pela manhã, por volta das 9h, acompanhada do esposo. A mulher, conforme o vereador, estava em trabalho de parto e sentindo dores significativas, mas foi informada que precisava aguardar os resultados de exames para a equipe médica determinar se havia viabilidade para realizar o parto naquele momento.
O atraso no atendimento tornou-se o estopim da situação.
Conforme Igor, apenas às 16h22 houve uma devolutiva por parte da direção da maternidade, pontuando que o procedimento não poderia ser realizado imediatamente, pois o protocolo hospitalar permite intervenções do tipo apenas a partir de 40 semanas completas de gestação.
Essa alegação, de acordo com o vereador, contraria uma lei municipal de sua autoria, que garante à gestante a opção de escolha entre cesariana ou parto normal a partir da 39ª semana, caso não haja impedimento médico.
O prolongado período de espera e a negativa da equipe de saúde teriam levado a mãe, descrita pelo vereador como "em prantos de dor e angústia", a argumentar sobre seu direito garantido pela legislação.
Ainda segundo o parlamentar, o médico de plantão teria reagido de forma inadequada, destratando a paciente, recusando-se a identificar-se e afirmando que "essa lei não vale de nada nesta maternidade". Além disso, foi relatada a recusa em entregar o prontuário médico solicitado pela gestante.
Diante da situação, o gabinete do vereador foi acionado. Franco afirma que uma assessora de sua equipe, que já acompanhava a gestante na data por meio de mensagens, se dirigiu à unidade para "avaliar o que estava acontecendo". A providência foi defendida como sendo uma tentativa legítima de assegurar que a lei fosse cumprida e que a gestante recebesse o amparo necessário.
Ainda segundo o relato, o assessor do vereador, ao chegar à maternidade, reforçou a garantia estabelecida pela legislação municipal e fez um apelo para que a norma fosse respeitada. Contudo, segundo ele, houve nova negativa, aprofundando o impasse entre os representantes do gabinete e a equipe médica.
A tensão escalou quando o esposo da gestante solicitou a presença da Polícia Militar, afirmando que o chamado foi feito "dentro da legalidade e sem qualquer tipo de excessos ou favorecimentos".
Em sua publicação, Igor Franco posicionou-se de forma contundente contra a conduta dos servidores do hospital, afirmando que "uma mulher em sofrimento e com direitos garantidos simplesmente não pode ser ignorada".
O parlamentar também destacou que o assessor agiu de maneira legítima ao solicitar o cumprimento da lei e ao buscar informações para resguardar os direitos da gestante.
"Não houve qualquer tipo de abuso ou tentativa de infringir regras. Nosso papel é justamente fiscalizar e assegurar que a população receba o tratamento adequado", declarou.
Polêmica e repercussões
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, onde opiniões se dividiram. Por um lado, apoiadores do vereador elogiaram a postura de seu gabinete em agir rapidamente para defender os direitos da gestante. Por outro, foram levantadas críticas à abordagem adotada, sobretudo após a atuação policial que resultou na prisão de três servidores da maternidade – uma médica, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem.
Nos comentários de sua postagem, Franco refutou as alegações de que houve excessos por parte de sua equipe ou interferência indevida nos procedimentos hospitalares.
"Estamos falando de direitos básicos. Não podemos fechar os olhos para uma situação que envolve sofrimento humano e negligência", escreveu.

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