Veja quem são os garis de Goiânia mortos em acidente entre carro e moto
As vítimas foram identificadas como Paulo Henrique, de 61 anos, e Adriano Pereira, de 56. Os dois trabalhavam há anos na limpeza urbana

Os dois servidores da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) que morreram na manhã dessa segunda-feira (1º), após um grave acidente no cruzamento da Avenida Rezende com a Rua Itararé, no Setor São Francisco, na capital, foram identificados como Paulo Henrique, de 61 anos, e Adriano Pereira, de 56. Os dois trabalhavam há anos na limpeza urbana e eram conhecidos pela rotina disciplinada e pelo comprometimento com a manutenção das áreas verdes da cidade.
As vítimas
Paulo Henrique atuava na equipe de poda desde o início dos anos 2000. Colegas relatam que ele era visto como “um servidor exemplar”, sempre disposto a orientar novos funcionários. Adriano, seu parceiro de rota, tinha trajetória semelhante: dedicado, reservado e muito querido pela equipe. Ambos estavam lotados na regional do Parque Industrial João Brás.
De acordo com a Comurg, os dois haviam registrado ponto momentos antes e seguiam em uma motocicleta própria para outra unidade de trabalho quando foram atingidos por um carro que trafegava pela Avenida Rezende.
O acidente
Imagens de câmeras de segurança mostram que a moto avança o cruzamento e colide com o veículo. O impacto lança condutor e garupa a vários metros de distância. As cenas, descritas por testemunhas como “chocantes”, mobilizaram moradores, que correram para tentar socorrer as vítimas.
Moradores afirmaram que uma das vítimas já estava sem vida, enquanto a outra chegou a receber massagens cardíacas de pessoas que tentavam reanimá-la. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, Paulo e Adriano já estavam em parada cardiorrespiratória, com óbito confirmado no local. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).
O motorista do carro permaneceu na cena, ajudou no socorro e fez o teste do bafômetro, que deu negativo. O caso foi registrado na Polícia Civil, que abriu investigação para apurar as circunstâncias da colisão.
Sinalização ausente
Moradores afirmam que o cruzamento é conhecido pela alta incidência de acidentes e que o risco aumentou após o recapeamento da Rua Itararé, cerca de 45 dias atrás — a sinalização horizontal não teria sido reaplicada desde então.
Um morador chegou a improvisar uma marcação de “P@R€” no asfalto usando giz branco, numa tentativa de evitar novas colisões. Documentos enviados à prefeitura em setembro pediam a instalação de faixa elevada ou lombada eletrônica na Avenida Rezende.
A Secretaria de Engenharia de Trânsito informou que uma equipe deve ir ao local ainda nesta semana para providenciar a sinalização pendente.
Nota da Comurg
Em comunicado, a Comurg afirmou lamentar profundamente a morte dos servidores e disse estar prestando assistência às famílias. A companhia classificou a perda como “irreparável” e destacou que Paulo Henrique e Adriano eram profissionais “de extrema dedicação”.
A morte dos dois trabalhadores reacende o debate sobre falhas de sinalização e segurança viária em regiões de intenso fluxo na capital. Autoridades agora tentam entender o que levou ao acidente que tirou a vida dos garis, cuja rotina, segundo colegas, era marcada pelo esforço diário de cuidar da cidade que hoje chora sua partida.

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