Veja detalhes do esquema que "roubou" R$ 350 milhões com reuniões na Alego
Com o apoio de funcionários públicos e o uso de instalações oficiais, como a Alego, o grupo ganhava credibilidade diante das vítimas.

Uma organização criminosa que simulava prestar assessoria tributária foi responsável por desviar cerca de R$ 350 milhões ao longo de cinco anos, conforme apontou a Polícia Civil de Goiás. O grupo realizava reuniões dentro da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e falsificava documentos para ludibriar contribuintes, principalmente em processos de herança e doação de bens. A investigação teve início em setembro de 2024.
Na última terça-feira (20), cinco pessoas foram presas sob suspeita de participação no esquema. Entre os detidos estão um procurador da Alego, um auditor fiscal da Secretaria da Economia, uma tabeliã e seu marido, além de uma advogada de Goiânia. Segundo as apurações, ao menos 15 vítimas foram identificadas até o momento. Uma delas afirma ter tido um prejuízo de R$ 17 milhões.
"Eles identificavam contribuintes com alto poder aquisitivo — donos de fazendas, por exemplo — e ofereciam um serviço fictício de consultoria tributária, prometendo reduzir legalmente os tributos devidos", explicou o delegado Bruno Barros.
A polícia descobriu que integrantes da Secretaria da Economia compartilhavam informações sigilosas com o grupo, que usava os dados para manipular cálculos do ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação). Os documentos eram alterados para apresentar alíquotas menores, muitas vezes inferiores a 1%, em vez dos 8% reais.
Com o apoio de funcionários públicos e o uso de instalações oficiais, como a Alego, o grupo ganhava credibilidade diante das vítimas. A abordagem frequentemente era feita em cartórios, com promessas de facilitação nos trâmites tributários. Sem desconfiar da fraude, os contribuintes realizavam os pagamentos diretamente.
Segundo o delegado, muitas vítimas nem sequer sabem que foram enganadas. “O envolvimento de um procurador legislativo servia como prova de legitimidade. Quando a Receita cobrava o valor real, os contribuintes acreditavam que se tratava de erro técnico na assessoria”, afirmou Bruno Barros.
Modo de agir
Os dados das vítimas eram obtidos no sistema da Receita Estadual. Os suspeitos abordavam as vítimas em cartórios para prestar um serviço de assessoria tributária, com o pretexto de reduzir o imposto em casos de heranças ou doação de bens.
Para dar credibilidade ao esquema, eram marcadas reuniões dentro da Assembleia Legislativa. Os envolvidos falsificavam os demonstrativos de cálculo do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e as vítimas, sem suspeitar da fraude, realizavam o pagamento.
Avanço das investigações
A ação faz parte da segunda fase da Operação Prince John. Mesmo após o início das investigações em 2024, os suspeitos continuaram a operar. Segundo a polícia, só entre os membros da organização, circularam R$ 4 milhões, além do montante total de R$ 350 milhões em contas físicas e jurídicas.
Na nova etapa da operação, R$ 190 mil em dinheiro vivo foram encontrados na casa do procurador, além de joias e um veículo de luxo. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Acreúna, Edéia, Paraúna e Goianésia. Mais de R$ 5,3 milhões foram bloqueados pela Justiça.
Em nota, a defesa do procurador afirmou que ele nega qualquer envolvimento com a fraude e diz não conhecer os outros presos.

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