Três brasileiros denunciaram ter sido vítimas de um esquema de extorsão e cárcere privado praticado por policiais no Paraguai. Segundo o relato, eles foram detidos durante uma viagem e passaram horas sob ameaça, sendo obrigados a pagar dinheiro para não serem incriminados falsamente por tráfico internacional de drogas. O caso terminou com a prisão de quatro agentes paraguaios, entre eles o subchefe de uma unidade policial.
A denúncia foi registrada por Jefferson Matheus Ferreira Alves Barbosa Santiago, que viajava acompanhado da namorada, de nacionalidade paraguaia, e do amigo Joaquim Francisco Itacarambi Neto. O grupo seguia para a cidade de Carmen del Paraná, onde a jovem visitaria familiares, quando foi parado em sucessivas barreiras policiais na região de Raúl Peña, a cerca de 75 quilômetros de Ciudad del Este.
Abordagem e extorsão
Na primeira abordagem, os agentes teriam exigido pagamento em dinheiro para liberar a passagem. Já na terceira parada, os policiais afirmaram que havia drogas no veículo e nas bagagens, mesmo sem apresentar qualquer prova. Os três foram então levados contra a vontade para uma unidade policial isolada à margem da rodovia.
No local, permaneceram algemados durante a noite inteira e, de acordo com as vítimas, sofreram intensa pressão psicológica. Os policiais teriam exigido o equivalente a US$ 10 mil dólares - cerca de R$ 50 mil - para não formalizar uma acusação de tráfico internacional. Como forma de coação, obrigaram o grupo a tirar fotos algemados e a enviá-las a familiares no Brasil, pedindo dinheiro para “resolver a situação”.
No dia seguinte, Jefferson convenceu dois dos agentes a levá-lo até um hotel em Ciudad del Este, alegando que conseguiria levantar o valor exigido. Durante o deslocamento, um dos policiais chegou a sacar uma faca, mas permitiu que ele seguisse. Ao chegar ao hotel, Jefferson conseguiu escapar e correu em direção à região da Ponte da Amizade, onde buscou auxílio das autoridades.
Flagrante e prisão
Em contato telefônico, ele informou aos policiais que retornaria com o dinheiro. Quando os agentes foram ao local combinado, acabaram surpreendidos por uma equipe que já monitorava a situação e efetuou a prisão em flagrante. A operação resultou na detenção de quatro integrantes da Subcomisaria Nº 047, incluindo o subchefe da unidade.
Mesmo após a ação, os brasileiros afirmam enfrentar dificuldades. Eles relatam que ainda não tiveram seus pertences e o veículo alugado devolvidos e dizem não ter clareza sobre os documentos que estão sendo orientados a assinar, alegando falta de advogado e de acompanhamento consular no momento.
O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Ciudad del Este está disponível para prestar assistência aos cidadãos brasileiros envolvidos, esclarecendo que o apoio consular depende de solicitação dos próprios interessados ou de seus familiares e que, por questões legais, não divulga detalhes de atendimentos individuais.
As informações são do Mais Goiás.