Tomate vira artigo de luxo e dispara até 233%; consumidor corre atrás de pechincha
Caixa do tomate miúdo saltou de R$ 30 para R$ 100 em um mês, enquanto consumidores apelam para pesquisa de preços, compra fracionada e até tomates verdes para economizar

Quem foi à feira ou ao supermercado nas últimas semanas já sentiu o impacto no bolso: o tomate virou o novo vilão da mesa do brasileiro e chegou acompanhado do repolho na escalada de preços. O aumento, que começou na origem da cadeia de abastecimento, já chegou às bancas e obrigou consumidores a mudar hábitos para conseguir manter o produto no carrinho.
O salto nos preços começou ainda na Ceasa. Em apenas um mês, a caixa do tomate miúdo, de terceira qualidade, passou de R$ 30 para R$ 100 — alta de 233%. Já o tomate grande, de primeira qualidade, também disparou: saiu de R$ 100 para R$ 180 a caixa, aumento de 80%.
Segundo especialistas do setor, o avanço dos preços está diretamente ligado às condições climáticas e à maior procura pelo produto goiano.
“Questão climática na região Sudeste e Sul, isso reflete também porque lá também subiu o preço. E o Nordeste também está buscando o tomate goiano aqui”, explicou um representante do setor. Ele ainda alertou que a chegada do frio pode pressionar ainda mais o mercado. “Os hortifrúti são muito suscetíveis a essas intempéries climáticas.”
Na ponta do comércio, o reajuste virou dor de cabeça para feirantes e comerciantes, que relatam queda nas vendas e dificuldade para manter promoções.
“Cara, não tem como fazer promoção. Por causa da subida, as vendas caíram muito também”, contou um comerciante.
Além do clima, vendedores apontam que a saída de produtos para outros estados tem reduzido a oferta local e pressionado os preços.
“Muito produto está faltando. Eles falam que é por causa do clima, mas também tem a exportação. A oferta fica muito pouca para a gente e o preço sobe muito mais”, afirmou outro feirante.
Com menos produto disponível, o reflexo chega direto ao consumidor. Nas feiras, a conta apertou e a estratégia agora é comprar menos e negociar mais.
“Está um absurdo. Aumentou demais, está muito caro mesmo. A gente vai pechinchando, pega um pouquinho ali, um pacotinho e vai remediando como pode”, desabafou uma consumidora.
Nos supermercados, o cenário não é diferente. O quilo do tomate de mesa já ultrapassa R$ 8 em algumas prateleiras. Em promoções, há estabelecimentos limitando a compra a até 5 quilos por cliente. Segundo lojistas, o valor praticado está praticamente no custo.
O problema é que substituir o tomate não é tarefa simples. O alimento é a segunda hortaliça mais consumida do país, ficando atrás apenas da alface, e está presente em boa parte das refeições do dia a dia.
“Só se comprar uma beterraba para substituir alguma coisa. Coloca o repolho no meio também”, brincou um consumidor, entre risos. “Mas está difícil. Está muito caro.”
Para quem vive com orçamento apertado, pesquisar preço virou obrigação. O aposentado Seu Manoel diz que percorre diferentes pontos de venda antes de decidir onde comprar.
“Se a gente pesquisar, às vezes tem algum lucro. Porque a diferença é muito grande, às vezes de R$ 5, R$ 6 de um lugar para o outro”, relatou.
Outra saída encontrada pelos consumidores é levar tomates mais verdes para aumentar a durabilidade durante a semana.
“Eu gosto de levar sempre os mais verdes”, contou uma cliente.
“Ele dura mais?”, perguntou a reportagem.
“Dura mais. E a gente não fica sem tomate. Eu amo!”, respondeu.
*Com informações TV Anhanguera

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