Técnico de enfermagem de Goiás é o principal acusado de matar pacientes com “injeção de desinfetante” No DF
Polícia Civil indica que morador de Águas Lindas teria aplicado substâncias inadequadas na veia de pacientes internados em hospital particular de Taguatinga; ao menos três m0rtes são apuradas

O técnico de enfermagem de 24 anos, identificado como Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, morador de Águas Lindas (GO), é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal como o principal suspeito de provocar a m0rte de ao menos três pacientes internados na UTI de um hospital particular de Taguatinga, no Distrito Federal. As investigações indicam que ele teria aplicado substâncias indevidas diretamente na veia das vítimas, incluindo, em um dos casos, um produto de limpeza hospitalar.
Marcos Vinícius é investigado por hom1cídios dolosos qualificados, sob a suspeita de ter agido com impossibilidade de defesa das vítimas. Outras duas técnicas de enfermagem — Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva — também foram presas e figuram como suspeitas no inquérito.
Segundo a apuração, as vítimas são a professora aposentada Marinil de Pereira da Silva, 75, o servidor público João Clemente Pereira, 63, morador do Riacho Fundo, e Marcos Raimundo Fernandes Moreira, 33, servidor público de Brasilândia. Inicialmente, as m0rtes haviam sido registradas como naturais.
A suspeita surgiu após o Hospital Anchieta identificar circunstâncias consideradas atípicas em três óbitos ocorridos entre novembro e dezembro. A direção da unidade instaurou uma apuração interna e encaminhou os indícios à Polícia Civil. “O hospital instaurou investigação por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
De acordo com os investigadores, Marcos Vinícius teria utilizado a senha de um médico para administrar medicamentos sem autorização. Em um dos episódios, conforme laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) do DF, foi aplicada uma substância de limpeza diretamente na corrente sanguínea de uma paciente.
Para não levantar suspeitas imediatas, o técnico realizava procedimentos de reanimação após as aplicações, segundo a polícia. A investigação agora busca identificar se há outros casos semelhantes no mesmo hospital ou em unidades de saúde onde o suspeito tenha trabalhado.
O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, afirmou que, em uma das ocorrências, o produto químico foi aspirado no próprio quarto do paciente e aplicado repetidas vezes.
“Em um dos casos, ele sugou um desinfetante com a seringa e aplicou ao menos dez vezes no paciente”, disse.
Inicialmente, os três presos negaram envolvimento e alegaram que apenas cumpriam prescrições médicas. Confrontados com as provas reunidas pela investigação, no entanto, não teriam demonstrado arrependimento nem apresentado justificativa para a conduta, segundo o delegado.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que demitiu os profissionais assim que os fatos foram confirmados e declarou solidariedade às famílias das vítimas. O Sindicato dos Técnicos de Enfermagem também lamentou o ocorrido e disse estar à disposição para prestar apoio aos familiares. O Conselho Regional de Medicina do DF afirmou que adotou providências para apurar eventual responsabilidade médica.
A investigação corre sob sigilo e segue em andamento. A Polícia Civil apura a motivação do cr1me e trabalha com a possibilidade de ampliação do número de vítimas.

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