Super Barão entra em Recuperação Judicial e mira parceria para não fechar portas
Na última sexta-feira, ex-funcionários protestaram em frente à sede administrativa, no setor Cidade Jardim, Goiânia, denunciando a falta de pagamento do mês de abril

Em uma tentativa de evitar a falência iminente e reestruturar seu modelo de negócios, o Grupo Super Barão, referência no varejo goiano há mais de três décadas, protocolou um pedido de Recuperação Judicial. A medida, anunciada oficialmente pela empresa na última sexta-feira (09), ocorre em meio a um cenário crítico, marcado por denúncias de atrasos salariais e fechamentos repentinos de unidades.
No comunicado divulgado, a administração do Super Barão destacou que o objetivo principal do pedido de Recuperação Judicial é "preservar empregos, reequilibrar financeiramente o grupo e assegurar a continuidade dos serviços aos clientes". No entanto, a situação se mostra desafiadora: cinco lojas foram fechadas temporariamente, há relatos de prateleiras vazias, e o descontentamento dos trabalhadores cresceu. Desde março, rumores de instabilidade permeiam entre consumidores e fornecedores, alimentados por frequentes rupturas de estoque, ausência de produtos básicos e a redução do quadro de funcionários.
Na última sexta-feira (09), ex-funcionários protestaram em frente à sede administrativa, no setor Cidade Jardim, Goiânia, denunciando a falta de pagamento do mês de abril e a não formalização das dispensas — fatores que impedem o acesso ao seguro-desemprego e ao FGTS. Em resposta, o grupo assegura que todos os salários de abril foram quitados, e que casos pontuais estão sendo monitorados pelo departamento jurídico.
Ao iniciar o processo de Recuperação Judicial, a empresa recebe um alívio temporário das obrigações, permitindo a elaboração de um plano de reestruturação a ser apresentado à Justiça.
"É uma última chance antes do colapso definitivo", observa o advogado empresarial Júlio César Vale, da Comissão de Direito Empresarial da OAB-GO.
O Super Barão, que atualmente opera 24 lojas em Goiás, permanecerá com algumas unidades abertas, especialmente em Goiânia, enquanto outras, consideradas menos estratégicas, estão sendo fechadas temporariamente para restruturação. O ajuste envolve a readequação de layout, controle de estoque e revisão contratual com fornecedores. Fontes internas afirmam que um investidor externo estaria negociando a injeção de capital na companhia durante este processo, o que poderá trazer novos modelos de gestão e padronização.
O pedido já está em análise na Vara Empresarial de Goiânia. Após a aceitação pelo juiz, será nomeado um administrador judicial e o grupo terá 60 dias para apresentar o plano formal de reestruturação. Credores serão convocados para votação do plano, tendo a prerrogativa de aprovarem ou não.
"Reorganizar uma empresa com base instalada é preferível a permitir sua liquidação imediata, o que geraria desemprego e impacto na cadeia de fornecimento", argumenta Eduardo Guimarães, economista da Universidade Federal de Goiás.
Enquanto a administração indica transparência como valor prioritário, a falta de informações claras sobre rescisões, recontratação e cronograma de reabertura das lojas fechadas gera insegurança. Especialistas reforçam a necessidade de canais de comunicação ativos com consumidores, fornecedores e funcionários.
A crise do Super Barão desenrola-se num momento de forte competição no setor supermercadista em Goiás, com a crescente presença de redes como Barbosa, Assaí, Atacadão e Bretas. A pressão por modernização e adaptação a novas realidades mercadológicas é inevitável, especialmente com pequenos e médios mercados enfrentando queda de margens e aumento dos custos operacionais.
Segundo dados da Associação Goiana de Supermercados (Agos), o setor movimentou mais de R$ 18 bilhões em 2024, porém quem não se digitalizou ou diversificou as operações ficou vulnerável. André Ferreira, analista do Sebrae-GO, conclui que a Recuperação Judicial pode ser um ponto de virada, mas requer disciplina financeira e gestão profissional.
O cenário do Grupo Super Barão reflete o desafio de adaptar-se rapidamente às mudanças do mercado e à conjuntura econômica, exemplificando a luta de muitas redes regionais por sobrevivência e renovação.

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