Show de R$ 1,5 milhão de Gusttavo Lima é alvo de investigação
Contrato sem licitação, amizade com governador e possível desrespeito à lei colocam apresentação “gratuita” de sertanejo no centro de polêmica em Cuiabá

O Ministério Público de Mato Grosso abriu investigação para apurar a contratação de R$ 1,5 milhão do cantor Gusttavo Lima pelo governo estadual para um único show em Cuiabá, em dezembro de 2025. A suspeita envolve possível favorecimento, falta de transparência e até descumprimento de uma lei estadual que limita gastos com eventos.
A história começa meses antes do show. Em março de 2025, o cantor Gusttavo Lima esteve na casa do então governador Mauro Mendes, em um encontro pessoal divulgado nas redes sociais pela primeira-dama. Na publicação, o artista foi chamado de “amigo especial”, com direito a elogios e registros de um jantar descontraído.
Pouco tempo depois, em dezembro, o governo do estado formalizou a contratação do sertanejo para uma apresentação em Cuiabá. O valor: R$ 1,5 milhão de dinheiro público por um único show, realizado no dia 19 daquele mês.
O contrato foi firmado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), sob o nº 061/2025, com a empresa Balada Eventos e Produções Ltda. A contratação ocorreu por inexigibilidade de licitação — mecanismo legal usado quando não há possibilidade de concorrência, geralmente em casos de artistas consagrados.
É justamente esse ponto que acendeu o alerta do Ministério Público. A 36ª Promotoria de Justiça Cível instaurou inquérito para investigar se houve legalidade e moralidade administrativa no processo. O promotor Clóvis de Almeida Júnior afirma que a apuração busca garantir a proteção do patrimônio público e a transparência no uso dos recursos estaduais.
Outro fator que pesa na investigação é a relação pessoal entre o cantor e o governador que assinou o contrato. Além disso, Mauro Mendes, à época, já se colocava como pré-candidato ao Senado, o que amplia o escrutínio sobre atos da gestão.
Apesar de o evento ter sido divulgado como “gratuito” na pista, a festa gerou lucro para organizadores. Camarotes e bangalôs foram vendidos, e os valores arrecadados não foram compartilhados com o governo estadual, mesmo com o alto investimento público no cachê do artista.
A contratação também pode ter ferido a Lei 12.082/2023, sancionada pelo próprio governador, que limita em R$ 600 mil o repasse de recursos estaduais para shows e eventos. O valor pago ao cantor ultrapassa mais que o dobro do teto permitido.
A legislação prevê uma brecha: o próprio governador pode autorizar exceções. No entanto, até agora, não há registro no Diário Oficial de qualquer ato formal que justifique o rompimento desse limite.
Outro ponto criticado é a falta de transparência. Apenas o extrato do contrato foi publicado oficialmente. O documento completo, com detalhes da negociação, não aparece s custos do evento também vão além do cachê. O governo não informou o valor total da operação, que envolveu forte aparato de segurança. A Polícia Militar mobilizou 538 agentes de diferentes unidades, incluindo tropas especializadas e cavalaria. O Corpo de Bombeiros empregou 115 profissionais, com viaturas de resgate e combate a incêndio. O Samu também participou com ambulâncias e motos de atendimento.
no Portal da Transparência, contrariando exigências legais.
ODiante desse cenário, o Ministério Público agora tenta responder: houve irregularidade ou apenas um show caro dentro da legalidade? A investigação segue aberta — e o caso promete dar ainda mais palco à polêmica.

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