Santa Casa suspende consultas e exames em protesto contra atraso de repasses da prefeitura e Governo Federal
A unidade também reivindica revisão na tabela do SUS, que está defasada.

A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia aderiu à paralisação nacional das Santas Casas e suspendeu os atendimentos eletivos nesta terça-feira (19).
“Não é uma paralisação, mas um pedido de socorro!”, pontua a médica Irani Ribeiro de Moura, superintendente-geral da Santa Casa da Capital.
Em Goiânia, uma das principais reclamações é referente aos atrasos nos repasses de verbas da Prefeitura e Governo Federal.
Em artigo publicado na página do hospital filantrópico, Irani destaca que o ato é a única forma de poder “continuar salvando vidas e garantindo a assistência de alta complexidade a mais de 70% dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que dependem de cirurgias cardíacas, vasculares, neurológicas, ortopédicas e outras mais para as quais só encontram esse atendimento nas Santas Casas”.
A médica ainda lembra que essa não é a primeira vez, em 85 anos da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, que o local clama por ajuda, porém, se nada for feito, poderá ser a última.
“Isso porque, sem excessos, enfrentamos a pior crise da nossa história e corremos o risco de cerrar as portas por total incapacidade financeira, pois as contas não fecham e estamos nos endividando cada dia mais para suprir a falta dos recursos que não chegam do poder público”, afirma.
Um dos problemas está relacionado à tabela SUS, principal fonte de pagamento, já que 95% dos pacientes dependem do Sistema Único de Saúde.
“Precisa ser revista com urgência. Uma consulta médica a R$ 10,00 é inconcebível. E esse é apenas um exemplo”, revelou.
O atraso nos pagamentos do Governo Federal e Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, com cerca de 60 dias após a prestação dos serviços é outro problema grave.Sem dinheiro, a unidade hospitalar atrasa o pagamento de fornecedores, que travam o fornecimento de materiais básicos colocando centenas de vidas em risco.
“Amargamos ainda pesados reajustes de medicamentos. Teve produto que saltou de R$ 1,90 para R$ 245,00 na pandemia e temos que manter os estoques em dia para não prejudicar a assistência aos pacientes. Hoje, o que temos visto é uma profunda inversão de papéis. As Santas Casas, com empréstimos bancários e seus juros e com o apoio da sociedade civil, que tem nos ajudado com doações, estão cofinanciando o SUS”, declara Irani.
Apenas em 2021, na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, realizamos mais de 40 mil consultas, 4,5 mil cirurgias e 10 mil internações.

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