Queda da Inflação surpreende e desemprego despenca apesar de juros altos; veja vídeo
Embora cenário seja considerado favorável, economistas alertam que a manutenção desses indicadores dependerá do comportamento fiscal, ambiente político e evolução das expectativas para 2026

Em análise divulgada nesta semana, a jornalista e economista Miriam Leitão afirmou que os principais indicadores econômicos de 2025 vêm contrariando projeções feitas no início do ano e desafiando modelos tradicionais usados por analistas. Segundo ela, tanto a inflação quanto o desemprego apresentaram melhora significativa, mesmo em um cenário de juros nominais em torno de 15% e juros reais próximos de 10%.
Logo no início de 2025, economistas estimavam que a inflação encerraria o ano em aproximadamente 6%. No entanto, o índice atual é de 4,4%, dentro da banda de flutuação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional e com possibilidade de fechar o período “um pouco abaixo disso”, segundo Leitão.
O comportamento dos alimentos, tradicionalmente um dos grupos mais sensíveis ao orçamento doméstico, foi ainda mais surpreendente. As projeções iniciais indicavam aumento anual entre 8% e 9%, mas o acumulado deve terminar em 1,35%. Leitão afirma que houve “queda por meses seguidos da inflação de alimentos no domicílio”, o que ampliou a renda disponível das famílias — setor fortemente pressionado pela compra de itens essenciais.
Outro indicador que contrariou as previsões foi o dólar. Em janeiro, a moeda chegou a R$ 6,18, e estimativas de mercado apontavam a possibilidade de atingir R$ 7 ao longo do ano. Contudo, a cotação recuou e se encontra próxima de R$ 5,35, acumulando novas quedas ao longo dos últimos pregões.
Apesar do cenário de crédito caro e restritivo, o mercado de trabalho também apresentou desempenho acima do esperado.
“Você me chamou atenção para o que está realmente desafiando os economistas: como é que, com juros reais de 10% e juros nominais de 15%, o desemprego pode melhorar? E melhorou”, afirmou Leitão.
Segundo dados divulgados na última semana, a taxa de desocupação do trimestre encerrado em outubro atingiu 5,4%, o menor nível da série histórica iniciada pelo IBGE. O resultado indica expansão do emprego formal e informal e reforça a tendência de recuperação gradual da atividade econômica.
Especialistas ouvidos avaliam que a combinação de inflação mais baixa, câmbio menos pressionado e melhora do consumo básico pode ter contribuído para a resistência do mercado de trabalho, mesmo diante dos juros elevados. Leitão, porém, afirma que o fenômeno ainda intriga parte dos analistas, que esperavam desaceleração mais intensa do emprego.
Embora o cenário seja considerado favorável, economistas alertam que a manutenção desses indicadores dependerá do comportamento fiscal, do ambiente político e da evolução das expectativas para 2026. Por ora, os números revelam um ano que, nas palavras de Leitão, “tem desmentido as previsões mais pessimistas e recomposto a renda das famílias de forma considerável”.

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