A tragédia que abalou Itumbiara na noite de quarta-feira (11) continua repercutindo intensamente nas redes sociais. O secretário de Governo do município, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, atirou contra os dois filhos e tirou a própria vida em seguida após descobrir uma traição da esposa. Ele teria recebido vídeos de um detetive particular. As imagens circulam pelas redes sociais.
Desde então, parte dos comentários na internet passou a responsabilizar a mãe das crianças pela tragédia — o que gerou forte reação. O psicanalista e treinador mental Fernando Segredo publicou um vídeo criticando a tentativa de transferir a culpa pelo crime. (veja o vídeo no final da reportagem)
“Esse caso não é sobre traição. É sobre um homem que nunca aprendeu a lidar com as próprias emoções e tratou a família como propriedade”, afirmou. Para ele, o foco precisa estar na responsabilidade individual de quem cometeu o crime. “Quando o inconsciente governa, a destruição não tem limite”, disse.
O especialista também fez um alerta sobre o que classificou como cultura de posse nas relações. “A gente precisa parar de normalizar essa mentalidade de posse e começar a cobrar maturidade emocional dos homens”, declarou.
Opiniões divididas
A publicação dividiu opiniões. Enquanto muitos internautas criticaram os ataques direcionados à mãe, outros insistiram em associar a motivação apresentada por Thales à responsabilidade dela. A mulher é filha do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo (UB).
O filho mais velho, Miguel Araújo Machado, de 12 anos, morreu após ser levado ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho. O mais novo, de 8 anos, foi submetido a cirurgia e permanece internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara.
A esposa de Thales e mãe das crianças estava viajando no momento do crime. Horas antes dos disparos, o secretário publicou um vídeo nas redes sociais ao lado dos filhos, afirmando que os amava. Ele também deixou uma carta aberta em que justificava o ato alegando ter descoberto uma traição da esposa. Imagens relacionadas à suposta traição passaram a circular nas redes.
O caso segue sob investigação e continua provocando discussões sobre violência familiar, responsabilidade emocional e a tendência de culpabilização de mulheres em crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros.