Prefeitura de Goiânia cancela R$ 41 milhões em restos a pagar; serviços não entregues ou concluídos
O cancelamento não impede pagamentos futuros caso o serviço tenha sido prestado. Nessa situação, a empresa pode abrir processo administrativo e comprovar a execução para receber normalmente

A Prefeitura de Goiânia cancelou R$ 41,09 milhões em restos a pagar referentes aos exercícios de 2022 e 2023, segundo decreto publicado na sexta-feira (5). Do total, quase R$ 25,5 milhões estavam vinculados à Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), distribuídos em mais de 90 processos. Os valores representam despesas empenhadas em anos anteriores que não chegaram a ser liquidadas — etapa que exige comprovação de execução do serviço.
A medida, embora frequentemente alvo de acusações de “c₳l❍t€” nas redes sociais, é prevista em lei e não significa descumprimento de obrigações, afirma a presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO), Sucena Hummel.
Procedimento rotineiro, diz especialista
Hummel explica que o cancelamento de restos a pagar é prática comum no setor público e ocorre quando fornecedores não entregam o serviço, não concluem o que foi iniciado ou nem chegam a começar. Sem nota fiscal ou comprovação da execução, a despesa não pode ser liquidada.
“Em termos simples, pode ser que o fornecedor não tenha entregue o serviço, tenha iniciado e não concluído, ou sequer começado. Sem a conclusão ou sem a nota fiscal, não há como liquidar a despesa. Mesmo após o empenho, se o fornecedor não cumprir o prazo ou não entregar conforme previsto, o empenho pode ser cancelado. É um procedimento rotineiro”, disse Hummel ao Jornal Opção.
A contadora reforça que o cancelamento não impede pagamentos futuros caso o serviço tenha sido prestado. Nessa situação, a empresa pode abrir processo administrativo e comprovar a execução para receber normalmente. “Isso acontece e é previsto”, afirmou.
Processo foi antecipado por início de nova gestão
Segundo Hummel, o cancelamento geralmente ocorre entre março e abril, quando as administrações revisam despesas herdadas do ano anterior. O fato de o procedimento ter sido adotado no início da gestão atual, diz ela, não indica irregularidade:
“Por ser início de uma nova gestão, esse processo acabou sendo feito agora. Mas não há nada fora da normalidade”.
A justificativa foi reforçada pelo secretário municipal de Finanças, Valdivino de Oliveira, em texto que acompanha o decreto. Ele destacou que o cancelamento não representa renúncia ao pagamento futuro.
“Importante ressaltar que o cancelamento ora proposto não implica renúncia ao direito de eventual pagamento futuro, ficando assegurado ao credor o direito de pleitear a quitação da obrigação, desde que observados o devido reconhecimento pela autoridade competente e o cumprimento das condições indispensáveis para a liquidação”, afirma o documento, citando o artigo 37 da Lei Federal nº 4.320/1964.
Comurg concentra a maior parte dos valores
Dos R$ 41,09 milhões cancelados, cerca de R$ 24,4 milhões estavam destinados à Comurg. Os processos estavam distribuídos entre:
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Secretaria Municipal de Administração (Semad)
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Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra)
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Agência Municipal de Turismo e Eventos (GoiâniaTur)
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Secretaria Municipal dos Esportes e Lazer (Semel)
A prefeitura não detalhou quais serviços específicos deixaram de ser executados, mas reforçou que os empenhos cancelados referem-se a contratos sem comprovação de entrega ou conclusão — permitindo, dentro da legislação, o encerramento do compromisso orçamentário sem configurar c₳l❍t€.

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