O prefeito de Vargem Grande Paulista, Piter Santos (Podemos), protagonizou uma confusão na noite do último domingo (30) ao aparecer, aparentemente embriagado, na saída de um show de rap realizado durante a Semana do Hip Hop da cidade. Em vídeos divulgados nas redes sociais, o gestor municipal surge discutindo com artistas e chamando o público de “vagabundos” e “maloqueiros”, além de afirmar que “nunca mais” haverá eventos de rap no município.
As imagens também mostram Piter discutindo com músicos como Eduardo Taddeo, que havia acabado de se apresentar. O cantor e compositor Tarcisio Ruffino Freire, o Gordinho Primeiro Ato, relatou ao Metrópoles que o evento já havia encerrado quando o prefeito chegou ao local.
“Estávamos tirando fotos com os fãs no backstage, e ele entrou no estacionamento jogando o carro em cima de todo mundo”, afirmou. Segundo o artista, Piter não apenas ofendeu os presentes como insinuou que os organizadores “achavam que lá não tinha dono”.
Gordinho também contou que o prefeito ordenou a agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) que “enche$$em de multa” os veículos dos artistas — mesmo estando em um estacionamento reservado para eles. Após causar tumulto e ser cercado por pessoas indignadas, Piter teria seguido para um dos camarins e acionado a Polícia Militar (PM), temendo ser agredido.
A reportagem procurou a Prefeitura de Vargem Grande Paulista, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para manifestação.
Prefeito responde a processo por lavagem de dinheiro
Além da polêmica no evento, Piter Santos é réu em uma ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por lavagem de dinheiro. Ele já era investigado quando foi eleito prefeito, com 17.908 votos.
De acordo com o MPSP, Piter teria ajudado o prefeito de Embu das Artes, Ney Santos (Republicanos), a ocultar a origem de recursos provenientes do crime organizado em postos de gasolina, veículos e imóveis. Ney Santos responde a uma ação penal em que é apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Importante ressaltar ainda que o relacionamento de Piter Aparecido e Claudinei Alves [Ney Santos] transcende as lavagens de dinheiro aqui apuradas, tendo Piter sido o fornecedor dos veículos da campanha política de Ney Santos para prefeito em 2016”, afirmam os promotores.
O processo tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) desde 2016. A audiência de instrução, debates e julgamento está prevista apenas para agosto do próximo ano. As defesas de Piter e Ney negam qualquer participação em atividades criminosas.