Postos aproveitam anúncio de reajuste para “arrancar o couro” dos motoristas; 10 foram autuados
O Procon, que foi às ruas da Capital fiscalizar os preços abusivos, explica que apesar do reajuste da Petrobras, os postos ainda trabalham com estoque e aumentos imediatos não são justificados

O reajuste anunciado pela Petrobras na última quinta-feira (10), de reajuste de 18,8% no preço do litro da gasolina e de 24,9% no diesel, foi usado pelos donos de postos de combustíveis como forma de ganhar vantagem em cima do consumidor e elevar os preços de forma “absurda” quase que instantaneamente ao comunicado da estatal, o que não justifica.
De acordo com o Procon, que foi às ruas, nessa sexta-feira (11) fiscalizar os aumentos aplicados pelos postos um dia após o anúncio da Petrobrás, e autuou pelo menos 10 estabelecimentos por “abuso de preços”, os reajustes ainda não impactaram na bomba, já que foi comunicado na quinta-feira (10) e os postos ainda estão trabalhando com combustíveis de estoque, ou seja, produto ainda do valor antigo e, de tal forma, não tem sentido aumentar os preços imediatamente.
O reajuste da Petrobras é para as refinarias, que ainda vão absorver esses aumentos e avaliar o quanto será repassado aos postos e, só aí, quando os estabelecimentos realizarem nova compra de combustível saberão quanto aumentou para recalcular o preço para o consumidor final.
Outro fator que chama atenção é que, além de os postos aumentarem a gasolina e o diesel, aproveitaram para elevar o preço do etanol, que futuramente pode ser impactado por tabela e ter a produção encarecida devido ao aumento do diesel, mas que neste momento não sofreu nenhum reajuste que justifique aumento de preço na bomba.
Durante a fiscalização nos postos de combustível da Capital, o Procon autuou dez estabelecimentos mediante cobrança de valores médios de R$ 7,70 para a gasolina e R$ 6,90 no diesel. Os estabelecimentos autuados estão localizados nas avenidas Castelo Branco, T-63, Goiás Norte; Alameda Ricardo Paranhos; Perimetral Norte; e nos setores Goiânia 2 e Crimeia Oeste.
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Foi verificado ainda que no Posto Capim Dourado, no Jardim Goiás, o litro da gasolina é vendido a R$ 7,83, enquanto o combustível em concorrentes que não aproveitaram “o momento” para tirar o couro do motorista, o litro segue a R$ 6,39 em alguns postos de Aparecida de Goiânia.
No mesmo posto, o diesel pode ser comprado a R$ 6,85. Em outros estabelecimentos, o valor ainda é encontrado a R$ 5,29, como é o caso do Posto Village, no Setor Serra Doura, em Aparecida.
A presidente do Procon Goiânia, Carolina Pereira, explica que o objetivo da fiscalização é analisar a margem de lucro dos postos e coibir o aumento abusivo de preços, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
“Esse aumento ainda não prejudicou os postos de gasolina porque eles ainda estão com o combustível antigo, comprado com o preço anterior. Portanto, não há justificativa para repassá-lo aos consumidores”, diz.
A operação ocorre no mesmo dia em que passa a valer o aumento anunciado pela Petrobras, com reajuste de 18,8% no litro da gasolina, e de 24,9% no diesel vendido às distribuidoras.
A fiscalização do Procon Goiânia continua nos postos de combustíveis. Denúncias são acolhidas pelo telefone (62) 3524-2936 ou aplicativo Prefeitura 24 horas.

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