PMs envolvidos na morte de quatro "agricultores" são presos por intimidar testemunhas
Ministério Público alegou ainda que ocorrência registrada pelos militares estaria em conflito com provas obtidas em perícia

Os sete policiais militares envolvidos numa ação na zona rural de Cavalcante (512 km da Capital), que resultou na morte de Alan Pereira Soares, Ozanir Batista da Silva, Antônio Fernandes da Cunha e Salviano Souza Conceição, no dia 20 de janeiro, foram presos preventivamente a pedido do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO).
O sargento Aguimar Prado de Morais, sargento Mivaldo José Toledo, cabo Jean Roberto Carneiro dos Santos, soldado Welborney Kristiano Lopes dos Santos, cabo Luís César Mascarenhas Rodrigues, soldado Eustáquio Henrique do Nascimento e soldado Ítallo Vinícius Rodrigues de Almeida são investigados pela morte dos quatro moradores do município, localizado na região da Chapada dos Veadeiros.
Eles haviam sido, supostamente, acionados para uma ocorrência de tráfico de drogas. Ainda segundo os militares, eles encontraram grande quantidade de pés de maconha no local, além de sete pessoas "que não obedeceram aos comandos de rendição e efetuaram disparos de arma de fogo".
Os policiais, então, teriam revidado os tiros e atingido os quatro homens, sendo que os outros três conseguiram fugir. Ainda conforme o registro de atendimento integrado (RAI), descrito pelos próprios militares, eles efetuaram 58 disparos contra os "suspeitos".
Segundo o MPGO, os fatos narrados pelos policiais no RAI "não encontra amparo nas provas documentais, periciais e testemunhais que estão no inquérito policial". Além disso, o órgão alegou que as medidas cautelares não foram "suficientes para resguardar a ordem pública nem garantir a normal instrução criminal no caso".
Isso porque, ainda conforme o MP, perícia da Polícia Técnico-Científica (PTC) localizou apenas cinco estojos de munição no local. Além disso, foram encontradas apenas 11 espécies de plantas, sendo apenas quatro de maconha.
O órgão argumentou ainda que os militares procuraram testemunhas "em nítida tentativa de intimidação e ameaça, o que caracterizaria a necessidade da prisão preventiva para garantir a normal instrução criminal, bem como para resguardar a integridade física e psicológica das testemunhas".
O inquérito policial está em fase de finalização e será remetido ao Poder Judiciário. Os policiais seguem presos preventivamente e à disposição da Justiça.

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