Petrobras reduz preço da gasolina, mas "alívio" não chega ao bolso dos motoristas; entenda
Paulo Tavares destacou que é necessário que os revendedores e a população fiquem atentos para que a redução Petrobras chegue a todos os consumidores

A redução de 4,9% no preço da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras, anunciada há três dias, ainda não resultou em alívio para o consumidor final. Apesar de o preço médio do litro da gasolina A ter caído de R$ 2,85 para R$ 2,71 — uma redução de R$ 0,14 —, o Sindicombustíveis-DF afirma que o repasse não foi integralmente aplicado pelas distribuidoras.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), o presidente do sindicato, Paulo Tavares, declarou que os ajustes esperados não apareceram nos postos devido à resistência das distribuidoras em reduzir seus preços. Segundo ele, considerando a mistura obrigatória de 27% de etanol anidro à gasolina, o valor da gasolina tipo C — produto final comercializado ao motorista — deveria cair cerca de R$ 0,10 por litro.
“No entanto, até o momento, a redução nas distribuidoras foi de apenas R$ 0,04 por litro. Para agravar, essas mesmas empresas aumentaram o preço do diesel em R$ 0,03 e do etanol em igual valor, sem qualquer justificativa. Reafirmamos que a Petrobras não promoveu reajuste no diesel”, afirmou Tavares.
O dirigente destacou ainda que tanto revendedores quanto consumidores devem estar atentos ao comportamento do mercado.
“É fundamental que a redução anunciada pela Petrobras chegue efetivamente ao consumidor. Caso contrário, quem continua pagando a conta é a população”, disse.
A Petrobras confirmou, em nota, que esta é a segunda redução do preço da gasolina em 2025. No acumulado do ano, o corte total chega a R$ 0,31 por litro, ou 10,3%. Desde dezembro de 2022, o preço de venda da companhia às distribuidoras já caiu R$ 0,36 por litro — o equivalente a uma redução real de 22,4% quando considerada a inflação do período.
Em relação ao diesel, a estatal informou que mantém os preços estáveis neste momento. A empresa ressaltou, porém, que desde março de 2025 foram aplicadas três reduções consecutivas. No acumulado desde dezembro de 2022, a queda inflacionada do diesel para as distribuidoras soma 35,9%.
Especialistas do setor avaliam que o atual cenário reflete não apenas questões de política de preços, mas também dinâmicas regionais de distribuição e margens de revenda. O repasse do desconto ao consumidor, segundo analistas, depende de uma cadeia complexa que envolve estocagem, logística e diferenças tributárias entre estados.
Enquanto isso, motoristas seguem sem ver diferença significativa nas bombas. Em Brasília, o preço médio do litro da gasolina comum permanece próximo de R$ 5,95, segundo o último levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

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