Perseguição e derrota na Justiça antecederam morte de corretora em Caldas Novas; veja
Segundo os delegados responsáveis pelo caso, o atrito começou ainda em 2024, quando a família de Daiane retirou do síndico a administração de seis apartamentos.

A Polícia Civil afirma que a morte da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, foi precedida por uma escalada de conflitos com o síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, de 50 anos, marcada por disputas judiciais, tentativas de restrição de acesso e uso irregular de ferramentas administrativas para constrangê-la. Cléber e o filho foram presos na manhã desta quarta-feira (28), sob acusação de terem premeditado o homicídio e a ocultação do cadáver.
Segundo os delegados responsáveis pelo caso, o atrito começou ainda em 2024, quando a família de Daiane retirou do síndico a administração de seis apartamentos destinados à locação por temporada. A partir desse rompimento comercial, passaram a ocorrer sucessivas desavenças, registros de ocorrência e ações judiciais ao longo dos últimos meses.
Ações judiciais
Em fevereiro de 2025, Daiane ingressou com ação contra o condomínio após ter o acesso às áreas comuns e aos hóspedes restringido. Em outubro, o síndico convocou assembleia geral extraordinária para tentar proibir a entrada da mulher no prédio, alegando que os imóveis estavam em nome da mãe da corretora. A proposta foi aprovada, mas posteriormente anulada pela Justiça.
No dia 11 de dezembro, seis dias antes do desaparecimento, houve o trânsito em julgado desta mesma ação. De acordo com a Polícia Civil, Daiane venceu o processo, garantiu o direito de livre circulação e ainda obteve indenização por danos morais e materiais contra a administração, por abuso de poder. A PC não informou o valor dessa ação.
A motivação e o crime
Para os investigadores, essa derrota judicial representou um marco importante na motivação do crime. “Há uma linha temporal muito clara: conflito administrativo, perseguição, tentativa de expulsão do prédio, derrota definitiva na Justiça e, dias depois, o desligamento do padrão de energia e o encontro no subsolo”, afirmou o delegado André Luiz Barbosa, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas.
A polícia também confirmou que o desligamento da energia não foi um fato isolado. Testemunhas relataram que o síndico já havia utilizado esse mesmo expediente em outras situações, inclusive para inviabilizar uma assembleia por videoconferência, quando desejava participação presencial.
No dia anterior ao crime, hóspedes de Daiane relataram que o apartamento novamente ficou sem luz, obrigando a corretora a procurar a administração. No dia seguinte, ao constatar novo corte, ela desceu para registrar o ocorrido em vídeo — momento em que ocorreu o encontro no ponto cego.
Para a Polícia Civil, o conjunto de disputas, a derrota judicial recente e o histórico de uso irregular das ferramentas do condomínio formam o pano de fundo que explica a motivação e a escalada que culminou no homicídio.

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